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Aldeias guaranis vão receber Renda Mínima

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
15 de jan de 2003

Comunidades indígenas da capital terão auxílio mensal de R$ 180,00

Carregando o filho Roger, de 1 ano e 10 meses, a índia Fatima Macena entrou ontem pela primeira vez em uma agência bancária. Moradora da Aldeia Morro da Saudade, na Barragem, em Parelheiros, extremo sul da capital, ela faz parte do grupo de 92 famílias que começam a ser beneficiadas pelo Programa Renda Mínima, da Prefeitura. "Achei muito estranho mexer na máquina, porque nunca vi uma coisa dessas", disse, depois de sacar parte do dinheiro que vai usar para comprar material escolar.

Ontem, as 30 famílias da Aldeia Krukutu foram até a vizinha Morro da Saudade, onde vivem 62 famílias, esperar a prefeita Marta Suplicy (PT), que deu início ao programa nas duas colônias de índios guaranis. Cada família vai receber R$ 180,00 mensais. "Os critérios para beneficiar essas famílias são os mesmíssimos usados na cidade", explicou a prefeita.

Condições - Para receber a bolsa, renovável, com duração de um ano, as famílias devem estar abaixo da linha da pobreza, com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, ter filhos menores de 15 anos e crianças de até 7 anos cursando a escola. "Quando conseguimos dinheiro vendendo artesanato, não passa de R$ 40,00", disse a índia Claudia Gonçalves, de 20 anos. Mãe de dois filhos, Claudia, Jajuka em guarani, diz que está sem dinheiro há duas semanas. "Só tinha arroz."

O início do programa nas aldeias consumiu um ano e meio de estudos e negociações entre as comunidades e a Prefeitura, segundo a representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) em São Paulo, Cristina Alves. "Eles têm outro modo de vida, mas, como vivem numa cidade muito grande, passaram a necessitar de outras coisas para viver."

Gás - As casas dos índios, algumas delas de alvenaria, têm gás de cozinha, energia elétrica e aparelhos eletrodomésticos. "É preciso promover a adaptação sem romper com a tradição deles", afirma Cristina.

Apesar da proximidade com bairros populosos como Parelheiros e Capela do Socorro, a região mantém-se quase intacta, com vegetação nativa e casas feitas de pau-a-pique. "Tem um monte de mico-leão aqui", disse a índia Jera, de 11 anos.

Depois da cerimônia, a comunidade foi até o Banco do Brasil, na Subprefeitura da Capela do Socorro, para receber os cartões e as senhas.

Cooperativa - A proposta do secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade, Marcio Pochmann, é iniciar até o próximo ano o Programa Oportunidade Solidária nas aldeias para dar início às cooperativas indígenas. Por meio da proposta, os índios serão assessorados administrativa e juridicamente para iniciar o trabalho artesanal cooperado.

"Como a maioria sobrevive do artesanato, vai ser uma ajuda a mais", afirmou um dos líderes comunitários da Krukutu Olívio Jekupe, de 37 anos, escritor formado pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo.

A filha dele, Kerexu Mirim, de 7 anos, acompanhou a prefeita de helicóptero até o Palácio das Indústrias. Almoçou com Marta e voltou à tarde para a aldeia. "Ela vivia pedindo para voar. Mas com que condição poderia fazer isso?", disse Olívio, feliz com o passeio da filha. (Bárbara Souza)

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