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Alckmin pede a Dilma R$ 3,5 bilhões para obter água, mas sai sem garantias

OESP, Metrópole, p. A12
11 de Nov de 2014

Alckmin pede a Dilma R$3,5 bilhões para obter água, mas sai sem garantias
Crise hídrica. Governador discutiu oito obras com a presidente, incluindo transposição e transformação de esgoto em produto de reúso; foi criado um grupo de trabalho para discutir as propostas, a partir de segunda-feira, mas ministras criticaram a gestão paulista

IZABELLA TEIXEIRA

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentou ontem à presidente Dilma Rousseff um conjunto de obras cujos investimentos totalizam R$ 3,5 bilhões para enfrentara crise hídrica, mas saiu do Palácio do Planalto sem nenhuma garantia concreta do governo federal. Alckmin voltou a dizer que o Estado não passa por racionamento e não há risco de desabastecimento.
O tom de Alckmin, que procurou minimizar a situação, foi contrastado pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que afirmou que o Palácio do Planalto está "muito preocupado" com o abastecimento de água. Miriam também criticou o Palácio dos Bandeirantes por não apresentar "nada que se refere a obras mais estruturantes de longo prazo".
Durante uma hora de reunião, Alckmin e Dilma discutiram oito obras: a interligação dos reservatórios Atibainha e Jaguari; dois novos reservatórios em Campinas e adução dessas estruturas; Estações de Produção de Água de Reúso (EPAR) para reforço dos Sistemas Guarapiranga e Baixo Cotia; interligação do Rio Jaguari com o Atibaia; interligação do Rio Pequeno com a Represa Billings; e perfuração de poços artesianos na região do Aquífero Guarani.
Foi acertada na reunião a criação de um grupo de trabalho para aprofundar a discussão em torno das obras. O primeiro encontro foi marcado para segunda- feira, no Ministério do Planejamento. Não se discutiu no encontro o montante de recursos que a União se comprometeria a financiar, tema que será tratado nesse encontro. Alckmin disse esperar que o governo federal contribua com o "máximo que puder" na construção das obras, via orçamento da União ou financiamento.

Sem racionamento. Na avaliação do governador, enfrenta-se a maior seca dos últimos 84 anos com "planejamento" e "uso racional da água". "São Paulo não tem racionamento, o abastecimento está garantido, e estará garantido em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, primeiro semestre, segundo semestre", disse.
De acordo com Alckmin, há obras que já podem ficar prontas no ano que vem, como as EPARs, e outras que levam até três anos para serem concluídas, no caso das barragens. O governador classificou essas obras como "estruturantes" e citou projetos já em andamento para minimizar os efeitos da crise hídrica no curto prazo. "Vamos entregar neste mês de novembro mais 1 metro cúbico por segundo no Guarapiranga. São 300 mil pessoas que saem do Cantareira", afirmou.
O tucano-que ainda apresentou à presidente o projeto do trem intercidades, que ligará Americana, no interior, a Santos, no litoral paulista - também negou que haja uma "mudança de posição" na relação do Estado com o governo federal, após uma eleição marcada pela troca de acusações entre PSDB e PT pela crise hídrica."É nosso dever,em uma república federativa, trabalharmos juntos, sermos parceiros", afirmou.

Críticas. Embora Dilma não tenha retomado críticas, o mesmo não aconteceu com os ministros. "A presidente viu com bons olhos o conjunto apresentado", afirmou Miriam Belchior. "Mas essas obras (apresentadas por Alckmin) são mais de curto e médio prazo. Essa proposta não apresentou nada que se refere a obras mais estruturantes de longo prazo", criticou a ministra. De acordo com ela, Dilma pediu na reunião uma resposta a longo prazo para a situação.
Já para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a situação em São Paulo é "crítica" e "preocupante".

PROJETOS APRESENTADOS

Transposição
Levar 5 mil litros de água por segundo da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira.

Novos reservatórios
Duas represas na região de Campinas com capacidade para 67,4 bilhões de litros e obras para adução dos mananciais.

Epars
Duas unidades para transformar esgoto em água de reúso para abastecimento humano.

Interligação
Interligar os Rios Jaguari e Atibaia para reforçar o Cantareira.

Represas
Interligar o Rio Pequeno com o reservatório Rio Grande na Represa Billings.

Poços
Captar água do Aquífero Guarani para distribuição.

Sabesp manterá redução de pressão da água durante a noite

Rafael Italiani

A redução da pressão da água durante a noite em São Paulo será "intensificada" e vai "perpetuar-se", segundo o superintendente de produção de água da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Marco Antônio Lopez de Barros, em entrevista ao programa Fantástico de domingo.
"É uma condição que vai perpetuar-se dessa forma, porque é a melhor condição para o aproveitamento da água sem desgaste da tubulação e sem desperdício. Essa é a herança que a crise nos trará."
A medida provoca falta de água em algumas regiões da cidade, diariamente, entre as 22h e 6h, prejudicando quem depende exclusivamente da água da rua. A redução da pressão foi revelada pelo Estado em abril.
Na entrevista, o superintendente negou que seja uma medida de restrição de abastecimento de água. "Não está tendo racionamento. Não existe corte como foi falado, não existe nenhuma situação onde a Sabesp deliberadamente provoque cortes. O que a Sabesp está fazendo é a gestão de pressão durante o período da noite."
Segundo o engenheiro Antonio Carlos Zuffo, professor de Hidrologia da Unicamp, a medida faz com que a Sabesp reduza as perdas de água nas tubulações da companhia. "Essa redução a Sabesp já fazia antes da crise, justamente para reduzir os vazamentos das redes."
A companhia afirmou, em nota, que a medida faz parte do Programa de Redução de Perdas e "reduz o desperdício e o desgaste da tubulação". Ainda de acordo com a Sabesp, a redução da pressão é feita desde 2007.

Bastidores: Um novo capítulo da disputa entre o PT e o PSDB

A solução para o problema da falta de água em São Paulo foi, mais uma vez, o lançamento de um grupo de trabalho. Depois de uma hora de conversa no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pareceram protagonizar um novo capítulo da disputa entre o PT e o PSDB.
"O palanque acabou e a oposição, agora, se faz no Parlamento", amenizou o governador, à saída do Planalto. A poucos passos dali, porém, auxiliares de Dilma tentavam pôr no colo de Alckmin a culpa pela crise de abastecimento, ressuscitando o tema que animou a campanha eleitoral. Diziam ainda que o Planalto e o Bandeirantes têm visões distintas sobre a origem e a forma de resolver o problema.
Do conjunto de oito obras propostas pelo governador, e orçadas em R$ 3,5 bilhões, nenhuma delas, segundo o Planalto, estará pronta em 2015. "Não são obras para amanhã, mas não há risco de São Paulo ficar sem água", insistiu Alckmin. Não foi o que disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. "A situação é crítica e preocupante", resumiu ela.
Na reunião a portas fechadas, Dilma sugeriu a Alckmin que procurasse o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), para buscar uma aproximação política e um entendimento em torno da crise hídrica. Ele não disse nem sim nem não.
Com o agravamento da crise em São Paulo, Alckmin e Pezão deflagraram uma guerra, por causa da intenção do Bandeirantes de desviar para o Sistema Cantareira águas da bacia do Rio Paraíba do Sul. À época, Pezão afirmou que a iniciativa prejudicaria o abastecimento do Rio.
Nesta segunda-feira, 10, o governador do Rio disse que acredita em um "consenso com bom senso" para resolver a crise hídrica pela qual passa São Paulo.
"Estamos aguardando a nota técnica da Agência Nacional de Águas (ANA) sobre o assunto." E também citou a audiência de conciliação marcada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux para a quinta-feira da próxima semana como um caminho para se chegar a um acordo entre Rio, São Paulo e Minas acerca da captação de águas do Rio Paraíba do Sul, que banha os três Estados.
Mas, já no início da próxima semana, ocorrerá a primeira reunião do grupo de trabalho da água em Brasília. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, garantiu que o Planalto está disposto a ajudar São Paulo, apesar da necessidade de segurar os gastos públicos. Ao que tudo indica, Alckmin desconfia do milagre.

CPI ouve queixas do Parque Edu Chaves
Moradores relatam cortes e cobram soluções do poder público

Mônica Reolom

Moradores do Parque Edu Chaves, na zona norte da capital paulista, tiveram a oportunidade de relatar a vereadores da Câmara Municipal um problema que os atinge há meses: a falta de água.
A primeira audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sabesp fora do prédio da Câmara reuniu cerca de 40 pessoas. Dez falaram sobre os cortes, a necessidade de conscientização da população e perguntaram aos integrantes da CPI qual pode ser a saída para a crise hídrica.
"Estamos com problema generalizado de falta de água e, ao mesmo tempo, estamos entre os bairros que mais economizam. Poderíamos ter começado a economizar mais cedo, se soubéssemos antes da gravidade da crise. Com os vereadores aqui, podemos criticar mas conseguimos informações para aprender", disse o diretor da Sociedade Amigos do bairro, Nelsinho Ferreira.
Membro da CPI, o vereador Mario Covas Neto (PSDB) defendeu a Sabesp. "Existe uma empresa cujo interesse é vender água. Quanto mais se consumir, mais a empresa vai receber. Dizer que a Sabesp quer que pouca água chegue a algumas regiões é um erro", disse. Laércio Benko (PHS), presidente da comissão, discordou "respeitosamente" do colega e disse que "água não deveria ser tratada como produto, e sim como um bem estratégico".

Outro lado. A Sabesp informou em nota que não pode explicar o motivo da falta de água, alegada por Ferreira, "candidato derrotado a deputado federal pelo PHS, mesmo partido do presidente da CPI", porque ele não informou os endereços à reportagem. "A Companhia fica no aguardo que a CPI siga prestando serviço à população." A empresa ainda afirmou que, desde o dia 1o de outubro, "foram computadas 47 reclamações num universo de 30 mil clientes no bairro Parque Edu Chaves."

OESP, 11/11/2014, Metrópole, p. A12

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