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Alckmin autoriza transposição de água do Paraíba do Sul

OESP, Metrópole, p. A23
03 de Out de 2015

Alckmin autoriza transposição de água do Paraíba do Sul
Obra, com valor de R$ 555 milhões, deve ser concluída em dois anos e prevê a transferência de 5,1 mil litros de água por segundo

Fabio Leite - O Estado de S.Paulo

Um ano e meio após anunciar a obra, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou nesta sexta-feira a autorização para contratar a transposição de água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, considerada fundamental para a recuperação do principal manancial de São Paulo, que opera desde julho de 2014 no volume morto, a reserva profunda das represas.
A obra está orçada em R$ 555 milhões, valor 33% menor do que o previsto inicialmente (R$ 830 milhões), e deve ser concluída parcialmente em até dois anos, segundo o tucano. O projeto prevê a transferência de 5,1 mil litros por segundo entre a Represa Jaguari, em Igaratá, que pertence à Bacia do Paraíba do Sul, e a Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, que integra o Sistema Cantareira.
A etapa que prevê a construção de 19,5 km de adutora, dos quais 6,1 km em túnel, para o bombeamento de água do Paraíba para aliviar o Cantareira, deve ser entregue entre abril e outubro de 2017. Já as intervenções necessárias para levar água no sentido contrário, proposta por Alckmin para amenizar conflito político com o Estado do Rio, que depende do Rio Paraíba do Sul, só devem ser concluídas em três anos.
"Na obra contratada está prevista a ida e a volta (bombeamento nos dois sentidos). A ida, 18 meses. A volta, mais 18 meses. Mas a volta é muito mais simples e poderá ser feita em um prazo menor", afirmou Alckmin. "A primeira etapa e mais importante é no sentido Jaguari-Atibainha", completou o governador, que classificou a contratação da obra como um "fato histórico" após ler uma carta de 1954 na qual um técnico do governo apontava a necessidade de buscar água no Rio Paraíba do Sul para abastecer a capital.
Sozinha, a Represa Jaguari comporta até 792 bilhões de litros, ou 1,2 trilhão incluindo o volume morto, quantidade que supera a capacidade operacional (sem a reserva profunda) de todas as represas do Cantareira juntas, que é de 982 bilhões de litros. "Com essa obra de interligação, nós mais do que dobramos a capacidade de reservação do Cantareira", disse Alckmin.
Polêmica. Hoje, os dois mananciais sofrem com a pior estiagem em décadas. Ontem, o Jaguari tinha apenas 19,2% da capacidade, enquanto o Cantareira somava 16,5%, incluindo as reservas. Um acordo feito pelo governo paulista com a Agência Nacional de Águas (ANA) prevê que a transposição só poderá ser iniciada após a recuperação da Bacia do Paraíba, que tem hoje só 7,3% da capacidade. Para o secretário paulista de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, isso não ameaça o início do bombeamento em 2017.
A transposição causou polêmica logo que foi anunciada por Alckmin, em março de 2014, quando ele disse que seria possível concluir a obra em 18 meses, a partir daquela data. Isso porque a Bacia do Rio Paraíba do Sul, formada por quatro represas, é responsável por abastecer os municípios do Vale do Paraíba, em São Paulo, e mais de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio. O acordo só foi firmado após as eleições de 2014, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Outorga. Em meio ao impasse entre os governos federal e paulista envolvendo a renovação da outorga do Cantareira, a ANA divulgou um relatório ontem no qual afirma que a proposta do governo Alckmin para operar o sistema pelos próximos dez anos provocará "perda" no volume de água liberado para o interior. A agência defende a limitação das retiradas conforme o nível de armazenamento do sistema. A proposta final deve ser apresentada até o dia 9. O governo paulista informou que vai avaliar o relatório.

OESP, 03/10/2015, Metrópole, p. A23

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