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Alckmin antecipa uso do volume morto para 15 de maio, mas não define rodízio

OESP, Metrópole, p. A16
11 de abr de 2014

Alckmin antecipa uso do volume morto para 15 de maio, mas não define rodízio
Abastecimento. Em lançamento de obras do Sistema São Lourenço, governador voltou a afirmar que racionamento, se adotado, será uma 'decisão técnica'; presidente da Sabesp confirma início da captação da reserva do Cantareira, que ontem caiu a 12,4%

José Maria Tomazela /Vargem Grande Paulista

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) antecipou o uso da água do volume morto do Sistema Cantareira para o dia 15 de maio. A decisão de iniciar o racionamento na Grande São Paulo, no entanto, ainda não tem data marcada. Ontem, Alckmin lançou em Vargem Grande Paulista ao brado Sistema São Lourenço, que vai buscar água no Vale do Ribeira para abastecer a região metropolitana.
As obras de captação do volume morto - cerca de 200 bilhões de litros de água abaixo das comportas dos reservatórios do Cantareira - estão 80% concluídas. Iniciada no mês passado ao custo de R$ 80 milhões, a intervenção estava prevista para junho, quando há o risco de esgotamento do volume útil dos reservatórios. Ontem, a marca do sistema que abastece 14,3 milhões de habitantes caiu mais uma vez e chegou a 12,4%.
O uso da água do fundo do reservatório foi confirmado pela presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena. "Diante do quadro atual, é certo que vamos precisar de uma parte dessa água", afirmou. Ela confirmou que as obras devem ficar prontas entre o fim deste mês e o início de maio. "Pode ser uns dias antes ou alguns dias depois", disse.
Sobre o racionamento, Alckmin voltou a admitir sua possibilidade. "Não está decidido o rodízio, mas também não descartamos." Ao ser indagado sobre a razão de ter mudado de opinião, uma vez que antes não havia nem sequer admitido o risco de racionamento, ele disse que não houve alteração. "O discurso não mudou. O que eu falei é que nesse momento não há racionamento, mas ele não está descartado. Isso não quer dizer que vai ter rodízio."
O governador afirmou que a decisão, se for adotada, será técnica e baseada no monitoramento diário do sistema feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e pela Sabesp. "Não vamos começar nem antes nem depois. Se precisar adotar o rodízio, será adotado no momento certo e será implementado da maneira que menos incomode ou atrapalhe as pessoas", afirmou Alckmin.
Eficiência. Dilma Pena disse que a crise hídrica na Grande São Paulo não é resultado de má gestão na Sabesp, como suspeita o Ministério Público Estadual (MPE). Promotores do Meio Ambiente abriram inquérito para investigar se o governo do Estado gerenciou mal os recursos hídricos do Cantareira.
"O Estado de São Paulo tem planejamento para as áreas de recursos hídricos e de saneamento. Nós vivemos neste ano um evento climático crítico sem precedentes, mas todo nosso pessoal está mobilizado para assegurar o abastecimento", disse a presidente.
Dilma afirmou que as medidas adotadas para evitar o colapso do Cantareira, como o uso da água de outros sistemas e a campanha do bônus, conseguiram manter a população abastecida. Ao defender o trabalho da Sabesp, ela afirmou que a transposição da água do Alto Tietê e do Guarapiranga foi possível porque a empresa fez a ligação entre os sistemas. "É nossa capacidade de resposta em um momento crítico. Quem não planeja é incapaz de apresentar os resultados que temos."

Segurança

"Considerando o pior cenário de chuva, com o uso da reserva técnica, nós temos segurança no abastecimento de água até o fim do ano. Isso não significa que a água do Cantareira vai acabar."
Dilma Pena
PRESIDENTE DA SABESP À CBN

Para evitar perdas, governador dá 'uma acelerada' no banho

O banho no Palácio dos Bandeirantes ficou mais curto. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem que deu "uma acelerada" na ducha para enfrentar a crise hídrica na Grande São Paulo. Em janeiro, porém, como o Estado revelou, a sede do governo paulista gastou 22% mais água em relação a dezembro. "Onde é que há desperdício normalmente numa casa? Há desperdício geralmente no banheiro, como fazer a barba com a torneira aberta. Então, torneira fechada. Sempre fechei, porque isso é cultural", afirmou o governador. "Se está se ensaboando, torneira fechada. São pequenos hábitos de uso racional. Eu dei uma aprimorada maior, dei uma acelerada maior (no banho), mais rápido", afirmou Alckmin durante uma entrevista coletiva em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Caio do Valle

Algas ameaçam capacidade de produção da Guarapiranga
Apontada como uma das soluções para a crise hídrica da Grande São Paulo, represa tem cerca de 3 km da vegetação

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Apontada ontem por Dilma Pena, presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), como uma das possíveis fontes de água para a Região Metropolitana de São Paulo, a Represa do Guarapiranga, na zona sul da capital, tem atualmente uma aglomeração de cerca de 3 quilômetros de algas.
Para especialistas, a vegetação pode dificultar a produção de água potável por demandar mais tempo de tratamento, o que comprometeria o abastecimento das áreas antes atendidas pelo Cantareira.
A Sabesp informou que, independentemente de custos e técnicas, garante a qualidade da água do reservatório.
As algas na represa, fenômeno antigo, datado de meados dos anos 1990, crescem por causa do sol e dos coliformes despejados na água. Mas nunca houve tantas algas, segundo Alberto Santos, gerente do Yatch Club Santo Amaro, que fica às margens da Guarapiranga. "Vemos frequentemente lixo preso às plantas, que chegam com o esgoto", contou Santos.
A proposta da Sabesp é aumentar a transferência de parte da água dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para o Cantareira, principal fornecedor da Grande São Paulo, que está com os piores níveis da história.
A Guarapiranga já abastece 19,5% dos domicílios da região. Com a intensificação da crise hídrica no início deste ano, cerca de 400 mil domicílios que antes eram atendidos pelo Cantareira passaram a receber água do Guarapiranga, segundo informações da Sabesp.
Toxinas. A vegetação pode trazer problemas à saúde. "As algas presentes na Represa do Guarapiranga, mais especificamente as cianobactérias, segundo registros em literatura, são potencialmente produtoras de toxinas que afetam a biota aquática (conjuntos de seres) e também podem acarretar problemas de saúde na população humana. Essas toxinas ficam dissolvidas na água", disse a pós-doutora em Biologia Maria do Carmo Bittencourt-Oliveira, professora da Universidade de São Paulo (USP).
Ela afirmou, no entanto, que o tratamento correto da água pode mantê-la potável. "Se há um tratamento adequado da água bruta, as toxinas podem ser retidas em filtros de carvão ativado. Dessa forma, a água poderá ser servida à população se adequadamente tratada." O processo exige gastos maiores. "Quanto mais toxina na água, mais eficiente deverá ser o tratamento e mais recursos serão gastos", disse Maria do Carmo.
O ambientalista Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), faz outra ressalva. "O tratamento que tem sido feito ali é com controle químico das algas, algo que não é regulamentado pelo Conama. É um voo cego", disse, referindo-se à falta de parâmetros sobre o uso dos agrotóxicos lançados na água.
Bocuhy afirmou que o processo de tratamento da água nesse caso exige mais tempo, o que diminui a capacidade de produção. "A Sabesp foi transformada em uma empresa para dar lucro e os investimentos no tratamento do esgoto não foram feitos. Assim, a qualidade da água caiu, e as algas aumentaram."
Qualidade. Em nota, a Sabesp informou que "a qualidade da água distribuída respeita todos os padrões da Portaria 2.914/11, do Ministério da Saúde. O controle de qualidade da Sabesp é um dos melhores do mundo". A assessoria de imprensa da empresa afirmou que, quaisquer que fossem os custos e a técnica necessária, a água com as algas seria tratada para evitar riscos à população.

Até hospital e escola sofrem com falta d'água
Serviços públicos em regiões abastecidas pelo Sistema Guarapiranga tiveram abastecimento cortado

Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) cortou nos últimos dias o fornecimento de água de serviços públicos em regiões abastecidas pelo Sistema Guarapiranga, na zona sul da capital. Ontem, o reservatório estava com 77,4% de capacidade.
A concessionária está remanejando a água do reservatório para cerca de 400 mil imóveis que eram abastecidos pelo Sistema Cantareira. Os cortes aconteceram entre segunda e quarta-feira, 7 e 9. Funcionários do Hospital Geral Pedreira, na região de Interlagos, afirmaram que um agente da Sabesp foi até o local na segunda-feira para avisá-los de que não haveria água nos próximos dias.
"Fomos informados de que haveria uma manutenção. O agente deixou um número de telefone caso houvesse a necessidade de a Sabesp mandar um caminhão-pipa", disse uma funcionária, que não se identificou. No entanto, segundo ela, os reservatórios do hospital estavam cheios e o corte não prejudicou o atendimento. A Secretaria de Estado da Saúde, porém, afirmou que não houve falta de água no hospital.
Na Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Umuarama, em Cidade Ademar, faltou água na segunda e na terça-feira. Ninguém foi avisado do corte. Funcionários disseram que as consultas já agendadas para os dois dias não precisaram ser canceladas. Outros atendimentos da UBS também não foram comprometidos pelo corte. Mesmo assim, quem trabalha na unidade teme que novos cortes possam prejudicar os pacientes.
O problema se repetiu na Escola Estadual Professor José Hermenegildo Leoni, que fica a 600 metros da UBS. "O problema não foi só na escola. Outras ruas também tiveram o mesmo tipo de problema", afirmou um professor. Ainda segundo ele, os alunos não precisaram ser dispensados.

Normalização. A Sabesp negou que houve corte de água nos endereços onde estão os serviços públicos. De acordo com a empresa, houve um vazamento na rede de água que abastece a região. Segundo a empresa, os reparos foram concluídos na madrugada de terça-feira e "o abastecimento na região encontra-se normalizado".
Guarulhos e Diadema são as únicas cidades da Grande São Paulo onde há racionamento confirmado. Os cortes na capital começaram a ser relatados no início de março em bairros da zona norte. Os moradores afirmam que o fornecimento é cortado à noite. A Sabesp nega casos de cortes na cidade.

OESP, 11/04/2014, Metrópole, p. A16

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