OESP, Vida, p. A22
19 de Mar de 2009
AL tem de reduzir emissões, diz Bird
Liberação de carbono pode crescer 33,3% na região até 2030 se não houver mudanças regulatórias já
Andrea Vialli
Mesmo se os países ricos reduzirem a zero suas emissões de gases de efeito estufa até 2050, as nações emergentes precisariam diminuir em até 28% seus níveis de poluição em relação ao ano de 2000, para evitar que o estoque de carbono na atmosfera chegue a 550 partes por milhão (ppm), o que elevaria a temperatura terrestre em 3oC.
As emissões de gases estufa per capita podem crescer 33,3% até 2030 na América Latina e Caribe, se não houver um compromisso maior dos governos e do mercado com a taxação do carbono. Atualmente Brasil e México são os maiores poluidores da América Latina: concentram 60% das emissões de gases de efeito estufa.
Essas são algumas das conclusões do relatório do Banco Mundial (Bird) Desenvolvimento com Menos Carbono: Respostas Latino-americanas ao Desafio das Mudanças Climáticas, divulgado ontem. É a primeira vez que o tema mudanças climáticas é o foco de um estudo específico para a América Latina.
ENCARECIMENTO DA POLUIÇÃO
"O único modo de resolver o impasse climático é pela adoção de tecnologias limpas. Mas isso só vai ocorrer se houver um encarecimento da poluição, seja por meio de um imposto sobre o carbono ou pelo subsídio às tecnologias mais sustentáveis", afirma Augusto de La Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe.
Segundo La Torre, os países emergentes precisam ter políticas de mudança do clima, pois os projetos de sequestro de carbono que estão sendo realizados não têm escala suficiente para garantir avanços na proteção ao clima. O estudo destaca a matriz energética limpa do Brasil e defende a limitação das barreiras alfandegárias para o etanol brasileiro.
No início de março, a diretoria executiva do Bird aprovou um empréstimo de US$ 1,3 bilhão para o governo brasileiro, com o objetivo de financiar a agenda de mudança climática no País. A linha de crédito precisa ser aprovada pelo Congresso para ser posta em prática.
INCOERÊNCIA
Para Marco Antonio Fujihara, diretor da consultoria de sustentabilidade KeyAssociados, falta coerência na posição do governo brasileiro em relação ao clima. "O Brasil elaborou uma política de mudanças climáticas, mas ao mesmo tempo aprovou um plano decenal de energia que prevê dezenas de termoelétricas a carvão."
OESP, 19/03/2009, Vida, p. A22
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