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Água do Cantareira não está garantida até 2015, diz ministra

FSP, Cotidiano, p. C7
23 de jul de 2014

Água do Cantareira não está garantida até 2015, diz ministra
Para titular do Meio Ambiente, 'não é possível afirmar que vai chover' no sistema a partir do mês de outubro
Sabesp afirma que as medidas tomadas até agora no Estado suprem a demanda na região até março

Aguirre Talento de Brasília

A ministra do Meio Ambiente do governo Dilma Rousseff (PT), Izabella Teixeira, disse nesta terça (22) que o abastecimento de água pelo sistema Cantareira não está garantido até março, como prevê a Sabesp, companhia de água do governo de São Paulo.
Izabella participou de reunião sobre o tema convocada pela ANA (Agência Nacional das Águas) com especialistas de instituições como USP e Unicamp. Não foram convidados representantes da gestão Geraldo Alckmin (PSDB).
Segundo ela, estudos do Ministério da Ciência apontam que "não é possível fazer a afirmação de que vai chover no Cantareira". "É muito prematuro falar isso", disse.
A Sabesp conta com chuvas a partir de outubro e com o "volume morto", reserva de água que fica abaixo do ponto de captação das represas, para alcançar essa meta, mas o governo federal avalia que a previsão é arriscada.
"O ministério nos informou que, embora o Brasil já esteja vivendo os efeitos do El Niño [aquecimento das águas do Pacífico], não há nenhuma garantia de que o fenômeno vai gerar chuvas em São Paulo", afirmou a ministra.
Na reunião, especialistas defenderam o aumento das tarifas para quem consumir muito --um complemento ao bônus já concedido pelo governo paulista para quem reduzir o consumo.
"É necessário ser reduzido o consumo ou a vazão", disse Vicente Andreu, diretor-presidente da ANA.
A ANA já havia recomendado a redução de vazão do Cantareira. Segundo Andreu, o assunto continuará em discussão. No caso do aumento da tarifa, porém, ele afirma que não cabe à ANA fazer a recomendação.
Ontem, o nível do sistema Cantareira estava em 16,8%.

MEDIDAS
Procurada, a Sabesp afirmou que, graças a medidas adotadas, "garante o abastecimento até março de 2015".
Segundo a empresa, as principais medidas foram a transferência de vazões dos sistemas Alto Tietê, Rio Grande e Guarapiranga para atender áreas abastecidas pelo Cantareira, o uso do "volume morto" e a criação, em fevereiro, dos bônus para clientes que reduzirem o consumo.
"Se necessário, outra parte da reserva técnica pode ser acionada. E, se as chuvas voltarem à normalidade, o uso deverá ser suspenso, com retorno ao modelo de captação anterior", diz a nota.
Neste mês, Alckmin, candidato à reeleição em outubro, recuou da intenção de sobretaxar quem não economizar água. Ele tinha lançado a ideia em abril, em meio à crise hídrica histórica enfrentada no Estado.
A crise da água chegou a ser explorada pelo candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha.

FSP, 23/07/2014, Cotidiano, p. C7

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/177304-agua-do-cantareira-na…

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