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Agricultores terão posse da terra até 2009

A Crítica, Economia, p, A15
25 de Jul de 2008

Agricultores terão posse da terra até 2009
Compromisso nesse sentido foi firmado ontem pela Mil Madeireiras com eles em evento na sede da Fieam

Terezinha Patrícia
Da equipe de A Crítica

Até julho de 2009, agricultores de seis comunidades localizadas no rio Anebá, em Silves (a 200 quilômetros de Manaus), receberão os títulos de propriedade da terra, onde residem como posseiros. Esse foi o compromisso assinado ontem por representantes da Mil Madeireira e Governo do Estado do Amazonas, durante o Fórum Amazônia Sustentável-Manaus, realizado no auditório Gilberto Mendes de Azevedo.
"Com o documento nós teremos acesso ao crédito bancário, além de ficarmos mais tranqüilos porque a terra será nossa", diz Waldemir Soares de Oliveira, 57, Líder da comunidade"Jesus,a única esperança", formada por 32 famílias que cultivam mandioca e criam gado para a sobrevivência.
A comunidade foi formada a partir do ano 2000, mas a família dele mora na localidade há 30 anos.
O representante da comunidade "Livramento", com 63 famílias, José Alves de Castro, 59, diz que a possibilidade da concessão do título deixou os agricultores entusiasmados. "Consideramos a madeireira uma empresa amiga, mas se a gente for dono da terra é melhor", ressalta. O diretor geral da Mil Madeireira, Christian Marzari, não soube dizer o tamanho da área abrangida por essas seis comunidades. Explicou que duas delas ficam totalmente nas terras da empresa, as outras pegam também terras do Governo. A regularização das áreas faz parte do processo de certificação sócio-ambiental da madeireira, que já possui o selo verde de certificação ambiental.
O Fórum Amazônia Sustentável foi lançado em Belém (PA), no ano passado, com o objetivo de mobilizar lideranças de diversos segmentos sociais para promover o diálogo, cooperação e articulação visando a uma Amazônia justa e sustentável. A abertura do evento em Manaus foi feita pelo diretor da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Wilson Périco, e contou também com a presença do presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young.
PROPOSTA
O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Maurício Loureiro, destacou a importância do fórum e fez uma proposta ousada: que os recursos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), representado por taxas arrecadadas e que representam em torno de R$ 300 milhões ao ano, sejam empregados em planejamento estratégico dos Estados da Amazônia Ocidental, com compromisso de preservação ambiental. Hoje o dinheiro é retido pelo Governo Federal.
"Somos um povo que tem lutado para proteger a Amazônia de verdade", afirmou o presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral.
Segundo ele,as terras mais protegidas da região são as indígenas.
Cabral repudiou os que dizem que os índios são um atraso para o desenvolvimento do Brasil.

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Seis comunidades serão beneficiadas O documento assinado pelo Governo do Estado por meio do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam) e a Mil Madeireira prevê a doação da área para as famílias que vivem nas seis comunidades há mais de cinco anos.
Tudo partirá da demarcação dos lotes. A área fica no Município de Silves.

A Crítica, 25/07/2008, Economia, p, A15

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