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Agressão aos indígenas no Amapá revela exploração e morte na floresta

http://www.vermelho.org.br
Autor: Renato Atayde e Nathanael Zalouth
29 de jul de 2019

O povo Waiãpi, é descendente dos antigos Guaiapi, que viviam no baixo Xingu no fim do século XVII. Acostumados a enfrentar dificuldades, tiveram a demarcação de suas terras realizadas somente em 1996, situada entre os municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari, com pouco mais de 607.000 hectares. A área está cercada pelo Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, a Floresta Estadual do Amapá, a Reserva Extrativista Beija-Flor Brilho de Fogo e o Projeto de Assentamento Perimetral Norte. Hoje a terra faz parte do Mosaico de Áreas Protegidas da Amazônia Oriental. Esta região é rica em minerais, principalmente o ouro, e por isso é explorada por diversas empresas mineradoras, e ainda possui diversos garimpos clandestinos.

Esta riqueza mineral, foi responsável por diversos conflitos, ao longo dos anos. Durante as décadas de 80 e 90, foram diversas invasões das terras por garimpeiros, que no fim sempre foram expulsos, sem nenhuma violência entre as partes. O assassinato do cacique Emyra Waiãpi, de 68 anos, com várias facadas, inclusive com a retirada de seus testículos, causou profunda indignação em amplos segmentos sociais e trouxe à tona a barbaridade a que está sujeita nossa população indígena.

Os garimpeiros ocuparam a aldeia Mariri. Expulsaram mulheres e crianças, não sem antes agredi-las. Os relatos em áudio, feitos por um indígena, pedem "socorro as autoridades brasileiras", e afirma que "não queremos mais morrer", após falar que os os garimpeiros se encontram fortemente armados.

Para a deputada federal Marcivania Flexa (PCdoB-AP), a ação dos garimpeiros é "um crime contra as populações tradicionais de nosso estado, em nome da exploração mineral e da ganância do capital". A deputada informou ao Portal Vermelho, que contatou com autoridades do município de Pedra Branca, como o vice prefeito José Adecildo, conhecido como Paraíba, e o vereador Professor Erick, ambos do PCdoB, e estes a informaram que a situação no município é tensa. A deputada também entrou em contato com o Governador Waldez Góes (PDT), com quem tem audiência nesta segunda-feira (29), com o Ministério Público Federal (MPF) e com o senador Randolfe Rodrigue (Rede)), a quem também conclamou à somar forças no caso.

Política de Bolsonaro: exploração das terras indígenas

A exploração das terras indígenas, no Amapá, acontece de forma clandestina. Em todo estado é estimado uma população de 7 mil índios e cercade 80 aldeias concentradas nos municípios de Oiapoque (que tem o maior número de habitantes indígenas), Pedra branca, Laranjal do Jarí e Mazagão.

A maior terra indígena é da etnia Waiãpi, com cerca de 607.017 hectares. Todas essas terras são protegidas pelas leis ambientais e pela Constituição Federal, entretanto existe ação de garimpeiros e madeireiros clandestinos explorando, de forma ilegal essas regiões.

A tendência desta exploração é piorar com as medidas adotadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Ainda em campanha, o então candidato presidencial declarou que "se eu assumir, índio não terá mais um centímetro de terra", e ao assumir colocou imediatamente as terras indígenas sobre a responsabilidade do Ministério da Agricultura.

O fato mais recente, sobre a exploração das reservas naturais e áreas indígenas, foi anunciar seu filho, Eduardo Bolsonaro, para embaixada brasileira nos Estados Unidos da América (EUA), com a intenção de viabilizar a exploração de minérios em terras indígenas po empresas norte-americanas. Durante a formatura de novos paraquedistas das forças armadas no 26o Batalhão de Infantaria e Paraquedista, na Vila Militar, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Bolsonaro Afirmou: "Terra riquíssima (referência a reserva indígena Ianomami). Se junta com a Raposa Serra do Sol, é um absurdo o que temos de minerais ali. Estou procurando o "primeiro mundo" para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos. Por isso, eu quero uma pessoa de confiança minha na embaixada dos EUA", disse.

Sem dúvidas, Emyra Waiãpi não foi o primeiro, e infelizmente não será o último. A deputada Marcivania, em nota deixou claro que o assassinato do cacique é fruto do discurso de ódio do presidente da República. E vamos além, as ações governamentais de incitação ao ódio as minorias, liberação de armas, entre outros, coloca o sangue das vítimas dos crimes de ódio, e do cacique waiãpi, diretamente nas mãos de Bolsonaro.

http://www.vermelho.org.br/noticia/322347-1

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