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Agressão ambiental

CB, Opinião, p. 12
20 de Mar de 2006

Agressão ambiental

Constantes ameaças ao meio ambiente colocam em risco a qualidade de vida dos moradores do Distrito Federal. São casos de invasão de terras, ocupação irregular da orla do Lago Paranoá e falta de preservação de nascentes e mananciais. O Correio flagrou durante dois dias de reportagem mais uma agressão: extração irregular de areia das margens de um dos mais importantes afluentes do Rio Descoberto, cuja bacia é responsável por 65% do abastecimento da região.
Moradores do Setor de Chácaras do P Norte, em Ceilândia, retiravam areia do Rio Melchior. Tanto o Ibama quanto a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) desconheciam a mineração às margens do rio. Os dois órgãos também não emitiram licença alguma para a extração de areia. A agressão ocorria a menos de 50m de uma das estações de tratamento da Caesb, aos olhos do poder público.
No mesmo dia da publicação da matéria, na sexta-feira passada, os fiscais da Executiva Regional do Ibama no DF identificaram os autores da agressão, que foram autuados e terão 15 dias para apresentar a defesa. Pelo dano ambiental provocado, podem ser multados em R$ 1,5 mil a R$ 50 milhões. O valor será definido após a análise técnica da área.
A multa é importante, mas não repara o dano causado. Mais importante é orientar os moradores da região. As pessoas que tiravam areia do rio alegaram que desconheciam a legislação. Não sabiam que cometiam tamanha irregularidade. Tudo isso é reflexo da falta de educação ambiental e da ausência de fiscalização.
Brasília tem na sua arquitetura moderna um dos maiores tesouros da humanidade, mas também tem outro grande patrimônio a zelar, que são os recursos hídricos. A qualidade da água consumida pelo brasiliense já foi apontada como uma das melhores do Brasil. No entanto, ela está ameaçada porque as margens dos córregos e nascentes estão desprotegidas.
O Serviço de Vigilância da Água no DF (Siv-Água) foi criado há pouco mais de dois anos pelo governo local para ajudar a combater os crimes ambientais que colocam em risco o abastecimento. Vem identificando principalmente construções irregulares nas margens de rios - resultado da ocupação urbana desordenada. No entanto, é necessária uma ação mais integrada entre Siv-Água, Ibama e Secretaria de Meio Ambiente do DF, uma parceria mais eficiente com objetivo de ampliar a fiscalização e atuar mais na prevenção ao dano. Recuperar áreas degradadas ambientalmente é caro e leva tempo.

CB, 20/03/2006, Opinião, p. 12

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