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A agonia do maior recife de coral do mundo

O Globo, Ciência, p.34
02 de Out de 2012

A agonia do maior recife de coral do mundo
Grande Barreira da Austrália foi reduzida à metade em 27 anos

A Grande Barreira de Coral - a maior estrutura de organismos vivos do mundo, localizada na Austrália - perdeu metade de sua cobertura nos últimos 27 anos. Uma ampla pesquisa monitorou 214 dos recifes da lista de patrimônios mundiais da Unesco e concluiu que a cobertura de coral diminuiu de 28% em 1985 para 13,8% este ano. No caso da Grande Barreira, o valor corresponde a cerca de 50 mil quilômetros quadrados de corais. Os dados foram publicados ontem no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" pelo Instituto de Ciência Marinha da Austrália (AIMS, na sigla em inglês).
- Se esta tendência continuar, a cobertura de corais pode reduzir pela metade novamente em 2022 - alertou o cientista do AIMS Peter Doherty.
- É interessante notar que o padrão de declínio varia entre as regiões. A cobertura Norte da Grande Barreira mantevese relativamente estável, ao passo que no Sul vemos a perda mais dramática de coral, particularmente na última década, quando as tempestades devastaram muitos recifes.
O principal fator para esta devastação é a ocorrência de tempestades, com 48%. Em seguida está a superpopulação da estrela-do-mar-coroa-deespinhos (42%). Os pesquisadores não têm uma confirmação do motivo do surto, mas a tese mais provável é o escoamento de fertilizantes da costa para o mar. Antes havia duas explosões populacionais dessas estrelas por século. Agora, acontece uma a cada 15 anos. Os predadores (gigantes para uma estrela-do-mar), que têm até 21 braços cobertos de espinhos venenosos, podem consumir até 107 metros quadrados de corais vivos por ano.
Outro fator que afeta o recife é o branqueamento dos corais (10%), ou seja, a morte dos organismos simbiontes que vivem nesses seres vivos, geralmente ocasionada por problemas ambientais, como o aumento da temperatura do mar.

Combate a estrelas-do-mar
Embora as tempestades sejam responsáveis pelo maior impacto global, o surto da coroade-espinhos é a ameaça mais facilmente evitável, afirmou John Gunn, diretor do AIMS:
- Não podemos impedir as tempestades, mas talvez possamos frear as estrelas-do-mar. Se isto for possível, o recife terá a oportunidade de se adaptar aos desafios impostos pelo aumento da temperatura e pela acidificação dos oceanos - explicou Gunn, que acrescentou:
- Nossos dados mostram que os recifes podem revitalizar sua cobertura mesmo após tais distúrbios (como o surto da coroa-de-espinhos ou tempestades), mas a recuperação demora de 10 a 20 anos.
Segundo o pesquisador, a ausência desta espécie pode levar a um aumento de 0,89% de coral ao ano. Portanto, mesmo com a perda por tempestades e o branqueamento haveria uma recuperação lenta da sua cobertura, acredita Gunn.
Ele salienta, no entanto, que outros estudos são necessários para entender o que provoca estas explosões populacionais.
Pesquisador da Universidade de Queensland e autor do Catlin Seaview Survey (projeto de análise dos níveis mais profundos da Grande Barreira de Coral), Ove Hoegh-Guldberg disse que um surto da espécie já era esperado para este ano. Ele relaciona o aumento da população da estrela-do-mar com a ocorrência de enchentes de Queensland, em 2010.
- Quando se tem uma inundação ao longo da costa, há uma mudança no fluxo de nutrientes no oceano, e as estrelas-do-mar tendem a aumentar sua população consideravelmente - explicou.

O Globo, 02/10/2012, Ciência, p.34

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