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Agência das Águas diz que há risco de reservatórios transbordarem

OESP, Metrópole, p. C1
05 de Nov de 2009

Agência das Águas diz que há risco de reservatórios transbordarem
Chuvas resultaram nos maiores níveis em 10 anos e ANA prepara até uma 'sala de crise' para prevenir catástrofes

João Domingos, Brasília

O excesso de chuvas no mês passado fez os principais reservatórios do País alcançarem o nível mais alto dos últimos dez anos e pôs o governo em alerta. A perspectiva é de aumento no risco de inundações, no fim deste ano e no início do próximo. A Agência Nacional de Águas (ANA) criará hoje uma "sala de situações" para controlar diariamente o volume dos reservatórios, mobilizar a Defesa Civil dos Estados e tentar evitar emergências e catástrofes que podem atingir tanto cidades quanto áreas de cultivo. O diretor-presidente da ANA, José Machado, e o diretor Benedito Braga relatarão hoje os problemas previstos para o ano hidrológico 2009/2010, que começou em outubro.

O açude Armando Ribeiro Gonçalves, no Rio Grande do Norte, é um exemplo. Em outubro de 2008, estava com 92,72% da capacidade e já alcançou 94,22% neste ano. Com menos água, no ano passado, causou grandes estragos, principalmente para a economia potiguar, pois as enchentes atingiram vastas áreas agricultáveis. Outras áreas do País, adiantou a ANA, já estão em situação vulnerável com relação a enchentes.

Como as chuvas caem fortemente desde outubro em praticamente todo o território nacional, são raros os reservatórios de hidrelétricas e açudes usados para o abastecimento de água que não estejam com o nível bem alto, em comparação com o ano passado. As águas da represa da Usina Hidrelétrica de Capivara, no Rio Paranapanema, por exemplo, atingiram 95% do nível do reservatório. No ano passado, nesta época, estavam em 80%, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Nos meses de março e abril, ainda em consequência da subida no nível dos rios e do excesso de chuvas, houve inundações de cidades inteiras no Maranhão - como Trizidela do Vale -, destruições de pontes, interrupção de rodovias e alagamento de regiões em quase todo o Estado. Também penaram com as enchentes as populações do Piauí e do Rio Grande do Norte, Estados que normalmente não sofrem esse tipo de problema.

Amazonas e Pará também tiveram dificuldades, embora nesses casos as enchentes não sejam incomuns. Em 2009, as cheias já atingiram quase todo o Estado do Espírito Santo. Santa Catarina enfrenta problemas com as enchentes desde o ano passado. A cidade de São Paulo também registrou pelo menos duas inundações nos últimos meses - atípicas.

Cientistas que observam o avanço das enchentes no País afirmam que essas cheias são um alerta para a necessidade de os países se conscientizarem de que precisam tomar providências para evitar a emissão de gases de efeito estufa. O fenômeno estaria mudando o clima do planeta, provocando enchentes descomunais, tsunamis, tufões e terremotos. Neste ano, por exemplo, as cheias já preocupam países de todos os continentes, incluindo China, Índia, Filipinas, Turquia e Senegal.

OESP, 05/11/2009, Metrópole, p. C1

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