O Globo, Ciência, p. 41
19 de Dez de 2009
Africanos já sofrem com mudanças
Pelo menos 56 milhões estão ameaçados pela elevação dos oceanos
BIDJAN, Costa do Marfim. Africanos que vivem na costa, que enfrentam a perda de suas cidades, casas e meios de subsistência com a elevação dos mares estão menos interessados em discussões sobre emissões de gases-estufa do que em obter ajuda para se mudar para áreas mais altas.
Diakite Abdullaye, de 46 anos, é um deles e diz que há necessidades mais urgentes.
- Queremos que as autoridades com poder no mundo venham e resgatem as pessoas pobres - disse Abdullaye, olhando as ruínas de uma casa que, segundo ele, foi destruída pelo avanço do oceano. - Se eles não puderem parar com a elevação do nível do mar, que nos ajudem a encontrar outro lugar para viver.
O aumento do nível dos oceanos devido ao derretimento das calotas polares é apontado como algo inevitável pelos próximos séculos, mesmo com cortes substanciais nas emissões de CO2. Como uma chaleira fervendo, os mares continuarão subindo lentamente ao longo dos séculos, mesmo que todas as emissões de gases-estufa sejam suspensas amanhã, escreveu Mark Lynas, especialista britânico e assessor do governo das Maldivas.
O painel de mudanças climáticas da ONU em 2007 chegou a prever que o aquecimento global poderia aumentar o nível do mar entre 18 cm e 59 cm neste século. Porém, segundo cientistas, este dado é conservador, e o mais provável é que ele aumente um metro ou mais. De qualquer forma, isso significaria um desastre para grande parte do litoral da África, especialmente as áreas densamente povoadas na parte ocidental do continente, com centros econômicos em expansão.
A ONU estima que a África tem 320 cidades costeiras, com 56 milhões de pessoas, em regiões com menos de dez metros acima do nível médio do mar.
O Globo, 19/12/2009, Ciência, p. 41
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