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Africanos dão ultimato e dizem que só negociam após meta dos ricos

OESP, Vida, p. A17
04 de Nov de 2009

Africanos dão ultimato e dizem que só negociam após meta dos ricos

Herton Escobar
Barcelona

As discussões sobre o futuro do Protocolo de Kyoto foram congeladas ontem, em Barcelona, depois de um ultimato dado pelos países africanos às nações ricas: de que só continuariam a negociar após os desenvolvidos apresentarem suas novas metas de redução de emissões. A posição foi apoiada pelo resto dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

As reuniões formais do grupo de trabalho que negocia o protocolo foram canceladas ontem durante todo o dia. O impasse só foi resolvido no início da noite, quando chegou-se a um acordo de que 60% do tempo restante para as negociações será dedicado às discussões das metas de redução dos países desenvolvidos. Até que isso seja resolvido, disseram os africanos, não fará sentido continuar debatendo outros assuntos

O encontro de Barcelona, que termina na sexta-feira, é a última rodada de negociações promovida pela Convenção do Clima das Nações Unidas antes da cúpula de Copenhague (COP-15), na qual deverá ser fechado um novo pacote de ações internacionais de combate à mudança climática. Ou pelo menos é o que se espera. Faltando menos de cinco semanas para o início da conferência, em 7 de dezembro, as negociações ainda caminham a passos lentos.

Ao longo deste ano, vários países desenvolvidos apresentaram propostas preliminares de quanto estariam dispostos a reduzir suas emissões. Mas os números não são precisos, vêm acompanhados de uma série de condicionantes e estão muito abaixo do que os cientistas consideram ser o mínimo necessário: algo entre 25% e 40% até 2020.

"Queremos números compatíveis com o que a ciência nos diz", afirmou o representante da Argélia, Kamel Djemovai, em nome do Grupo dos Países Africanos. "Os números que foram colocados na mesa até agora não são claros nem ambiciosos." Somadas as propostas apresentadas até agora, a redução dos países desenvolvidos seria de, no máximo, 23%.
Os países desenvolvidos não se pronunciaram sobre o ultimato dos africanos.

O repórter viajou a convite da organização da COP-15

OESP, 04/11/2009, Vida, p. A17

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