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AFOGANDO A AMAZÔNIA

O Estado - http://www.oestadoce.com.br
Autor: Tim Bromfield
10 de Ago de 2010

Índios estão indo à guerra na Amazônia para defender suas terras contra a criação da represa da hidrelétrica de Belo Monte.

Desde o último dia 2, nossos amigos da Atlantic Rising estão numa ilha colombiana, sem internet. Portanto, nosso diário de bordo de hoje traz um texto escrito por Tim em que ele, mostra a estarrecedora possibilidade de batalha entre a usina de Belo Monte e os índios amazônicos. O texto, escrito durante a passada da expedição pelo Pará, há algumas semanas, é um interessante olhar de fora sobre uma loucura interna do Brasil. Acompanhe.

Índios amazônicos estão se preparando para a guerra no Estado do Pará, depois do controverso contrato vencido pelo consórcio Norte Energia para a construção da represa da hidrelétrica de Belo Monte.
A represa, planejada para o Rio Xingu, vai inundar 500km² de floresta virgem. Gerando 11 mil megawatts, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, adicionando quase 20% à capacidade energética do Brasil.

Gilson Rego, da Comissão Pastoral da Terra - organização católica que atende ao povo rural marginalizado no Brasil - disse: "A luta legal acabou. Apenas os índios podem impedir a construção agora".
O Rio Xingu tem uma imensa diversidade cultural indígena representando grupos idiomáticos tão diferentes quanto o inglês e o mandarim. Sessenta e dois líderes indígenas recentemente declararam que "Belo Monte representa a destruição de nossa gente". A represa ameaça a sobrevivência de muitas espécies, incluindo peixes migratórios que os índios dependem para obter proteína. A barragem vai destruir a dinâmica atual do rio, incluindo a sazonalidade de cheias e secas. O ecólogo da Amazônia Gil Serique disse que, como resultado, "o conhecimento indígena obtido através de muitas gerações será perdido".

O povo indígena vem protestando contra o projeto há mais de 30 anos. Em 1989, uma guerreira kaiapó empunhou seu facão contra o rosto de José Antônio Muniz Lopes, então presidente da Eletrobrás, para enfatizar a demanda kaiapó de que a represa não deveria ser construída.

A recente declaração dos líderes indígenas alertou que "o Rio Xingu vai se tornar num rio de sangue" se a construção for adiante. "Eles decidiram que irão sacrificar suas vidas para impedir a represa e eu não estou surpreso" - disse Serique.

Grupos indígenas fecharam pontes e ameaçaram as empreiteiras que planejavam mandar trabalhadores para a região. No fim de junho, 100 protestantes foram barrados num discurso feito pelo presidente Lula em apoio à represa. Os protestantes estão coordenando suas atividades com outras comunidades afetadas por represas pelo Brasil, que recebe cerca de 80% de sua energia de hidrelétricas.

Críticos dizem que a represa desapropriará entre 20 mil e 40 mil pessoas, incluindo índios de nove grupos étnicos diferentes. Programada para começar a produção de energia a partir de 2014/2015, a represa de Belo Monte pode produzir menos de 10% de sua capacidade durante o período de seca, o que faz dela uma das mais ineficientes do mundo.

Com pelo menos 70 outras represas planejadas para a região, estamos testemunhando o afogamento da Amazônia?

Por Tim Bromfield
(Traduzido do inglês por Tarik Otoch)

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