O Globo, País, p. 3
25 de Set de 2014
Aécio e Marina criticam não adesão a acordo
MARIA LIMA, ISABEL DE LUCA E FLÁVIA BARBOSA opais@ oglobo.com. br
Dilma afirma que proposta sobre desmatamento não era da ONU
"Eu lamento a posição da presidente da República. O Brasil poderia estar com outras ações, liderando esse movimento contra o desmatamento no mundo"
Aécio Neves (PSDB) "Dilma não assinou o acordo sobre a proteção das florestas dos países que têm mais florestas, o que é lamentável"
Marina Silva (PSB)
-UBERABA (MG) E NOVA YORK- Adversários de Dilma Rousseff na disputa à Presidência, Aécio Neves ( PSDB) e Marina Silva (PSB) criticaram a decisão do governo de não assinar o acordo de combate ao desmatamento apresentado durante a Conferência do Clima, em Nova York.
- Essa é uma preocupação que temos. Para mim, foi surpreendente não ter assinado. O Brasil poderia estar com outras ações, liderando esse movimento contra o desmatamento no mundo. Eu lamento a posição da presidente da República - disse o candidato tucano em ato de campanha em Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Na terça- feira à noite, em Florianópolis, Marina também classificou de lamentável a decisão do governo de não assinar a iniciativa global de desmatamento.
- Dilma não assinou o acordo sobre a proteção das florestas dos países que têm mais florestas. Ela não assinou, o que é lamentável. Nós podemos juntar economia e ecologia - defendeu a ex-ministra do Meio Ambiente.
Em Nova York, a presidente Dilma afirmou que a proposta de redução a zero do desmatamento em escala global até 2030, que circulou na Conferência do Clima, não é uma resolução da ONU, e, portanto, o Brasil não se opôs a um acordo no âmbito da instituição. A iniciativa foi apresentada por Alemanha, Reino Unido e Noruega, além de organizações e empresas internacionais, disse Dilma.
PROPOSTA COLIDE COM LEI
O Brasil não assinou a proposta, explicou a presidente, porque o governo brasileiro não foi consultado e porque o desmatamento zero colide com a legislação do país.
Para ser um acordo, informou um diplomata brasileiro, a proposta precisaria ter sido negociada e transformada em projeto de resolução da Conferência, o que não foi o caso com o texto sobre desmatamento zero. Menos de 20% dos membros da ONU endossaram a iniciativa.
Dilma questionou o fato de a proposta ter circulado, até o período de encontros preparatórios da Conferência do Clima, à margem do Brasil.
- Somos um país com uma grande quantidade de florestas, que temos a melhor política de (combate à) redução de florestas. Um dos assessores (dos países proponentes) disse que não nos acharam, coisa um pouco difícil dado o tamanho do país - ironizou a presidente.
Dilma explicou que a existência do conceito de manejo florestal na legislação brasileira se choca com a noção absoluta de desmatamento zero. Populações ribeirinhas, por exemplo, têm seu sustento atrelado ao manejo.
- Além de não terem nos consultado, eles propõem algo que é contra a lei brasileira. A lei brasileira permite que nós façamos o manejo florestal, muitas pessoas vivem do manejo florestal, que é o desmatamento legal, sem danos ao meio ambiente. (A proposta) contraria e se contrapõe à nossa legislação - afirmou Dilma.
Em Uberaba, Aécio reafirmou seu compromisso com o agronegócio e com a política agrícola baseada no tripé crédito, segurança jurídica e seguro. Questionado sobre a falta de água na região para a produção, ele disse que tem um amplo projeto de construção de barragens para favorecer não só o abastecimento humano, mas também a produção agrícola e a agricultura familiar.
À noite, em encontro com sindicalistas no Sindicato dos Comerciários, em Belo Horizonte, Aécio voltou a afirmar que substituirá o fator previdenciário por outro mecanismo caso seja eleito:
- Há condições de buscarmos uma alternativa que não penalize os aposentados
O Globo, 25/09/2014, País, p. 3
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2014/09/25/aecio-marina-criti…
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