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Autor: Edmilson Ferreira
07 de Abr de 2010
A 4ª Feira Brasil Certificado começou nesta quarta-feira, 6, no Centro de Convenções São Luiz, em São Paulo, aberta pelas principais autoridades da certificação nacional e internacional - os presidentes do FSC, uma das mais importantes certificadoras do mundo, Roberto Waack; Roberto Smeraldi, de Amigos da Terra; Sergio Esteves (Imaflora); e Denis Freire (Instituto do Homem e do Meio Ambiente) - no Centro de Convenções São Luiz, em São Paulo. O Acre é destaque, segundo os organizadores: "O Acre é líder disparado em políticas de manejo florestal certificado", afirmou o diretor-executivo do Imaflora, Luiz Fernando Guedes, outro parceiro na realização da FBC.
A Secretaria de Florestas mantém um estande de 144 metros quadrados, todo montado com madeira certificada das espécies jatobá, tauari, jaracatiara e cumaru-ferro. O Acre tem um dos maiores espaços da mostra com produtos madeireiros e não madeireiros. Indústrias como Ouro Verde, Triunfo, Fábrica de Pisos de Xapuri, e atividades como mostra da coleção de móveis de Casa & Companhia produzidos pelo Pólo Moveleiro do Acre, artesanato e exposição de 98 comunitários de todo o Acre, estão presentes no stand que chama a atenção para a nova economia do Estado, esta baseada em baixo carbono e alta inclusão social.
Participam desta edição da Brasil Certificado 35 empresas. Ainda nesta quarta-feira começou a série de atividades paralelas a feira, como a realização de fóruns de discussão sobre o mercado da certificação no Brasil e no mundo. A ideia é mostrar como é possível transformar matéria-prima oriunda de florestas certificadas em produtos de consumo consciente. A 4ª feira traz como novidade a presença de produtos agrícolas certificados.
Atualmente o selo pode ser encontrado em uma variedade cada vez maior de produtos: desde madeira para construção civil, móveis e objetos de decoração, até instrumentos musicais, revistas, papéis para impressão e embalagens para produtos diversos, como cosméticos e alimentos. A feira está na agenda da certificação mundial e é promovida pelo FSC, um dos mais importantes selos do mundo. Através dos contatos realizados em feiras anteriores, empresas como a Precious Wood e Mil Madeiras passaram a se interessar em se estabelecer no Acre. A cadeia de produção se fortalece e as áreas de manejo crescem: de acordo com a SEF, projeta-se aumento de 300% em áreas certificadas em florestas públicas para este ano. O stand divulga o Programa de Qualidade Florestal lançado em Rio Branco no ano passado e que tem como objetivo ampliar o número de empresas certificadas no Acre.
Os objetivos da presença do Acre na feira são, segundo a SEF, fomentar a melhoria dos produtos regionais; divulgar os resultados até então obtidos pela Política de Valorização do Ativo Ambiental Florestal para o País e o mundo, e promover a atração de investimentos para o Acre. "Os resultados tem sido extremamente positivos", disse Marilda Brasileiro, coordenadora da participação acreana na feira.
Manejo identifica e protege novas espécies de plantas
Plantas epífitas (as que vivem no alto das árvores) estão sendo identificadas e protegidas no manejamento florestal no Acre. Muitas orquídeas, bromélias e cactus têm sido registrados como novos para a ciência. Na Fazenda São Jorge I, de propriedade da Laminados Triunfo, foram resgatados 300 unidades de 58 espécies, as quais representam novidade e compõem a primeira coleção fora do habitat organizada pelo Governo do Acre em parceira com a Universidade Federal do Acre (Ufac). No grupo de totalmente novos para os pesquisadores, estão um gênero de cactus e sete de orquídea.
"Considerando as novidades encontradas e o grande potencial de uso de algumas epífitas, iniciativas empresariais, governamentais e comunitárias que visem o resgate e o uso desse componente da flora ainda pouco conhecido certamente redundarão na ampliação do conhecimento, no desenvolvimento de tecnologias, benefícios sociais e em políticas ambientais que vão ao encontro dos anseios da certificação florestal e da busca pela sustentabilidade", dizem Flávio Obermuller e Marcos Silveira, pesquisadores do Laboratório de Botânica e Ecologia Vegetal do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Ufac em artigo publicado na revista Acre Certificado.
Mostra reafirma Nova Economia do Acre
A certificação é, na opinião de Roberto Smeraldi, uma tendência irreversível e a quarta edição da FBC significa a evolução em seu próprio pioneirismo. Para Roberto Waack, a feira reafirma sua capacidade de articular a sociedade civil, os movimentos sociais e ambientais com o mundo econômico. "É o único meio de pavimentar o caminho de uma economia de baixo carbono e sustentabilidade", disse Waack. São esperados 6.000 visitantes - o dobro que a edição 2008 - com a presença de 60 expositores.
A certificação cresce entre 30% e 40% ao ano no Brasil. Pela questão fundiária, a certificação de florestas ainda é pequena no País, que tem 4 milhões de hectares certificados, sendo que 3 milhões foram certificados com o selo FSC pelo Imaflora. O mundo possui 127 milhões de hectares de florestas certificadas com mais 1.000 empreendimentos em 82 países. O Acre possui a Floresta Estadual do Antimary, a única floresta pública certificado do Brasil.
Comunitários do Acre são destaque na mídia nacional
A edição desta quarta-feira, 6, do jornal O Estado de S. Paulo, um dos maiores do País, traz texto assinado pela jornalista Andrea Vialli sobre o trabalho que o Governo do Estado e as comunidades realizam na busca pela certificação florestal. "A Cooperfloresta, cooperativa de produtores extrativistas do Acre, é uma das associações que reúne comunidades tradicionais e que conseguiu ampliar seu espaço no mercado graças à certificação florestal. O grupo, com sede em Rio Branco, agrupa e comercializa a produção de 88 famílias de produtores de madeira, organizados em 4 comunidades", informa o texto.
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