Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Dalton Valeriano e Edegard
13 de Nov de 2003
Técnico fará auditoria nas imagens de satélites e atestará, até abril do ano que vem, qual é o real desmatamento do Estado
A polêmica suscitada por reportagem da revista "Veja", em sua edição de 22 de setembro, acusando o Governo da Floresta de campeão de desmatamento na região, acaba de ser esclarecida. O coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Dalton Morrison Valeriano, que já havia desautorizado a revista a utilizar declarações suas com as informações equivocadas, está no Acre para, junto com os dirigentes dos órgãos ambientais do Estado, estabelecer os reais números do desmatamento nos últimos cinco anos, e já adiantou que os números não batem com aqueles apontados pela revista.
Morison reafirmou ontem que suas declarações foram deturpadas pelo autor da reportagem da Veja e admitiu que o Inpe também cometeu imprecisões na leitura das imagens que apontam o desmatamento no Acre. O esclarecimento total da polêmica será possível a partir de um convênio firmado entre o Inpe, órgão do Ministério da Ciência e da Tecnologia, e o Governo do Estado, através do Imac (Instituto de Meio Ambiente do Acre), através do qual será realizada uma verdadeira auditoria nas imagens que apontam o desmatamento. A data limite do convênio é abril do ano que vem, quando os resultados dos levantamentos serão expostos. No momento, o Inpe e o Imac, em parceria com a organização não-governamental Imazon (Instituto do Homem do Meio Ambiente da Amazônia), com sede em Belém, fazem estudos paralelos das imagens sobre desmatamentos. Foi isso que permitiu o levantamento da suspeição de que as imagens do Inpe, que apontariam para o desmatamento recorde no Acre, poderiam estar erradas.
"Numa cena em que o Inpe dizia ter havido desmatamento da ordem de 704 quilômetros quadrados, as imagens do Imazon, que trabalha conosco, revelaram que o desmatamento era de apenas 278 quilômetros quadrados. Um número bem diferente", disse o presidente do Imac, Edegard de Deus. "É por isso que estamos firmando essa cooperação para que, em abril, tenhamos uma radiografia completa sobre o desmatamento no Acre."
O erro da revista "Veja", segundo Dalton Valeriano, foi ter desconsiderado advertências de que não poderia simplesmente somar os números das três cenas de satélites relacionadas ao Acre. Além da reunião dos números não corresponder à realidade, há a gravidade de que pelo menos duas dessas imagens estarem relacionadas, em sua grande maioria, aos Estados do Amazonas e de Rondônia.
Outro erro de avaliação, segundo Valeriano, foi a não-consideração em relação à metodologia utilizada pelo Inpe. Isso fez com que áreas que o Inpe não considera devastadas entrassem para o item da devastação. "O Inpe só considera desmate em área onde haja corte raso, de eliminação da vegetação. Então, onde aparece uma vegetação rala, mesmo com características de degradadas, na metodologia que utilizamos, não é uma área devastada", disse Valeriano. Outra confusão, constatada em visita in loco do técnico do Inpe e do presidente do Imac, foi em relação à vegetação. O que aparece no satélite como área devastada, segundo constatou-se ontem, na verdade é uma área de bambu, cuja vegetação é rala e aparece na imagem do satélite como área desmatada. "É por isso que vamos fazer essa auditoria de imagens. Vamos pegar imagens desde 1988 até 2003 para fazermos um detalhamento real e apresentarmos à sociedade", disse Edegard de Deus.
Valeriano afirmou que só pretende fazer um diagnóstico após o levantamento, mas ressaltou que o desmatamento no Acre não é e não pode ser igual ao que foi apontado na reportagem da revista Veja. Os mapas revelam que, historicamente, Rondônia desmata sempre quatro vezes mais que o Acre e nem por isso mereceu atenção da imprensa. "Creio que a intenção foi mesmo a de atingir o governador Jorge Viana e a do presidente Lula", disse Edegard de Deus.
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