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Acre busca a preservação da biodiversidade

Pagina 20 online - Uol
Autor: Renata Brasileiro
19 de Mar de 2008

Conferência do Meio ambiente entra na terceira edição com discussões mais intensas sobre mudanças climáticas e políticas de desenvolvimento sustentável.

O Acre é o único Estado brasileiro que realizou conferências de meio ambiente em todos os municípios. A atitude mostra a responsabilidade com que os acreanos lidam com a questão ambiental, entendendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) depende da Biodiversidade. Logo, não cuidar do meio ambiente é comprometer a economia do país.

Com essas palavras a ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, abriu ontem a terceira edição da Conferência Estadual de Meio Ambiente, no Horto Florestal. O evento, que segue até hoje, conta com a participação de delegados dos 22 municípios, além de autoridades, profissionais e estudantes.

A idéia de amplificar nos debates o tema Mudanças Climáticas foi sugerida pela própria ministra Marina Silva ainda em 2005, quando a primeira conferência foi realizada. Por esse motivo, ela foi apenas uma das pessoas presentes a partilhar a sensação de vitória pelo Acre ter conseguido realizar conferências em todos os 22 municípios do Estado. "Podemos dizer que, proporcionalmente, considerando o número de municípios e as distâncias para se chegar até eles, fizemos um trabalho excelente", avaliou a ministra.

O objetivo da conferência é construir um espaço de convergência social para a formulação de uma agenda nacional do meio ambiente, por intermédio da mobilização, educação e ampliação da participação popular, com vistas ao estabelecimento de uma política de desenvolvimento sustentável para o país.

Segundo o secretário de Meio Ambiente do Estado, Eufram Amaral, a conferência tem tido a sua utilidade como se previa ainda quando o evento não havia saído do papel. "Muitas propostas foram apresentadas e grande parte delas foi aprovada. Entre as propostas estavam a implantação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), recuperação de áreas degradadas e educação ambiental nas escolas , que estão sendo executadas", destacou o secretário.

Amaral disse ainda que um retrospecto dos desafios ambientais para a Amazônia revela que avanços significativos para a preservação de sua biodiversidade tiveram início no Acre e serviram de modelos para todos os demais estados da região Norte.

"Exemplos que ganharam contornos definidos a partir do legado de Chico Mendes, há 20 anos, com a criação das reservas extrativistas", afirma.

"Os maiores experimentos agroflorestais estão aqui e embora representemos apenas 4% de toda a Amazônia, somos exemplos para todo o resto, inclusive, a Amazônia internacional, de bons amigos da floresta", completa.

Além do secretário e da ministra, também estiveram presentes na abertura do evento o governador do Estado, Binho Marques, o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Edvaldo Magalhães, o superintendente do Ibama, Anselmo Forneck e também o presidente nacional do órgão, Bazileu Margarido.

Segundo o governador, o Acre foi apontado como o Estado que teve a maior queda de desmatamento nos últimos anos. Ele atribui o fato aos investimentos feitos pelo Governo do Estado em políticas de desenvolvimento e de preservação.

"Essa queda é significativa e se deveu, principalmente, à criação de áreas de proteção. É um fruto de um trabalho sólido, que não deve parar por aqui. Precisamos fazer muito mais pelo nosso meio ambiente", destacou.

Mudanças climáticas

Após a abertura do evento, o pesquisador Foster Brown ministrou palestra sobre "Mudanças Climáticas". Ele explicou aos participantes do evento que as repentinas mudanças climáticas devem ser motivo de preocupação e que esta mudança muitas vezes está ligada a ação humana.

"O clima está cada vez menos previsível e isso significa que não podemos simplesmente esperar que algo aconteça de um dia para o outro. Temos que reverter essa situação, reflorestando mais, cuidando mais daquilo que já está degradado, conservando a biodiversidade", destacou.

Ele alerta que hoje as populações estão mais vulneráveis às variações, às instabilidades climáticas que são verificadas. "O que indica é que esta variabilidade natural pode ser ampliada pelo efeito dos gases estufa. Esta é uma preocupação dupla: se estamos preparados para a variação climática que existe e para o aumento que a gente está prevendo pelo efeito estufa", completa.

Preocupação com cada localidade

Para o prefeito de Rio Branco e presidente da Associação dos Municípios do Acre (Amac), Raimundo Angelim, foi preciso que chegasse uma ex-seringueira e acreana em Brasília para propor a discussão de um tema tão delicado nos mais de cinco mil municípios brasileiros. Ele acredita que a realização das conferências municipais em todas as cidades acreanas fortalece o debate. "Cada município do Acre tem suas peculiaridades, suas especificidades. O que é prioridade para Jordão, por exemplo, pode não ser para Brasiléia, e a participação desses delegados vai fazer com que todos sejam ouvidos", define Angelim, observando que 80% do total de propostas aprovadas na Conferência Estadual de Meio Ambiente em 2005 já foram concretizadas.

O Plano Estadual de Educação Ambiental Escolar, coordenado pelo governo do Estado, será a principal colaboração com a Prefeitura de Rio Branco, ratificada na abertura da 3ª Conferência Estadual de Meio Ambiente.

Na ocasião, o documento foi apresentado pelo governador Binho Marques ao prefeito Raimundo Angelim e à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. A educação ambiental é o tema de um dos quatro eixos de discussão da conferência. Pelo acordo firmado entre Município e o governo do Estado, os 36 mil estudantes da educação básica, administrada pela Prefeitura de Rio Branco, terão programas específicos de educação em meio ambiente nas escolas.

Conforme a organização da conferência, os dez grupos de trabalho formados estarão divididos em eixos temáticos hoje, que vão desde mitigação e adaptação à pesquisa e desenvolvimento ecológico e educação ambiental.

Conferência nacional acontece em maio

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) está mobilizando o país para a realização da 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, em maio, que nesta edição terá o desafio de debater uma das principais preocupações ambientais do planeta: as mudanças climáticas. O tema, que até então estava restrito à comunidade científica e governos, ganhou as ruas após a divulgação dos últimos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Com o lema "Vamos Cuidar do Brasil", a conferência faz novamente um convite para que a sociedade brasileira - governos, empresários e sociedade civil - se engaje nesse processo de democracia participativa. É o fórum adequado para expor preocupações, dividir responsabilidades e apresentar reivindicações e sugestões que aprimorem a política ambiental do país.

Além disso, a conferência, segundo o MMA, é um importante instrumento de educação ambiental, uma chance de os cidadãos se apropriarem localmente dos compromissos planetários, assumindo responsabilidades para construção de sociedades sustentáveis.

Atualmente, o mundo inteiro se debruça na busca de soluções para enfrentar os impactos causados pelo aquecimento global. No Brasil, ao promover a terceira edição da conferência, o MMA espera contribuir para essa discussão, disseminar o conhecimento técnico-científico e político relativo ao tema e identificar soluções para sua mitigação e adaptação. As deliberações do evento serão, ainda, uma importante contribuição para o Plano Nacional de Enfrentamento das Mudanças do Clima, que está sendo elaborado pelo governo brasileiro.

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