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Acordo sobre clima tem novo encontro

O Globo, Sociedade, p. 18
08 de Mai de 2017

Acordo sobre clima tem novo encontro
Reunião na Alemanha acontece com incertezas sobre os EUA, que enviaram delegação reduzida

As negociações sobre mudanças climáticas iniciadas em 2015, com o Acordo de Paris, serão retomadas a partir de hoje em Bonn, na Alemanha. A reunião dos 196 países que participaram da elaboração do documento ocorre em meio à ameaça do governo americano de se retirar do pacto internacional, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta.
- Precisamos definir as operações do Acordo de Paris antes da próxima Conferência do Clima (COP-23), que será realizada no fim do ano - diz David Levai, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e de Relações Internacionais.
Na COP-21, em Paris, 195 países e a União Europeia concordaram em limitar o aumento da temperatura global a, no máximo, dois graus Celsius. A Palestina anunciou a adesão ao acordo depois. Para não ultrapassar esta marca, será necessária, entre outras medidas, uma radical transição energética, que substitua combustíveis fósseis (carvão e petróleo) por fontes renováveis (biomassa, solar, eólica).
Em novembro de 2016, na COP-22, no Marrocos, as negociações foram afetadas pela eleição do presidente Donald Trump, autodeclarado cético em relação às mudanças climáticas. Desde então, a Casa Branca tem enviado sinais ambíguos sobre o assunto, mas já começou a desmantelar a política ambiental de Barack Obama.
Os EUA deveriam anunciar, ainda este mês, que medidas pretendem tomar para limitar o aquecimento global. As mudanças climáticas seriam um dos principais itens da pauta do próximo encontro do G-20, em julho, na Alemanha. Os países que compõem o grupo são responsáveis por 75% da emissão de poluentes à atmosfera.
Segundo a agência AP, funcionários do governo Trump afirmaram que os EUA vão continuar a participar de reuniões das Nações Unidas relacionadas ao clima mesmo que o presidente americano decida abandonar o Acordo de Paris.
Nesta terça-feira, deverá ocorrer uma reunião entre assessores de Trump para definir a postura dos EUA. A inclinação do presidente é para que o país deixe o tratado, mas sua filha e conselheira na Casa Branca, Ivanka Trump, recebeu aval para preparar um extenso processo de revisão e análise desta política internacional.
O objetivo é assegurar que Trump receba informações tanto de especialistas do governo quanto do setor privado antes de tomar uma decisão. Para isso, Ivanka terá um encontro com o chefe da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), Scott Pruitt, um entusiasta do abandono do Acordo de Paris.
A presença dos EUA na reunião em Bonn não deve ser vista como um sinal de que Trump decidiu manter o compromisso do país com o tratado, indicou uma fonte da Casa Branca. Os EUA estão enviando uma delegação "muito menor" do que as dos anos anteriores, apontou o funcionário do governo. No Acordo de Paris, os EUA se comprometeram a cortar suas emissões de 26% a 28% até 2025, em comparação com as taxas de 2005.
Mas ex-funcionários do governo Obama argumentam que, como as metas do tratado não são vinculativas e podem ser atualizadas, Trump poderia permanecer no acordo de Paris, mesmo reconhecendo que não atingirá o objetivo de 2025 estabelecido por Obama.
Embora o acordo preveja que as metas atualizadas sejam mais ambiciosas, não há nada proibindo um país de reduzir suas metas, disseram fontes do antigo governo.

O Globo, 08/05/2017, Sociedade, p. 18

https://oglobo.globo.com/sociedade/novo-encontro-definira-metas-contra-…

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