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Acordo global de florestas é concluído

Valor Econômico, Internacional, p. A9
12 de jun de 2015

Acordo global de florestas é concluído

Daniela Chiaretti

A mais recente rodada de negociação do acordo climático internacional acabou ontem em Bonn, na Alemanha, com um texto confuso e longo, de 85 páginas. Teve, contudo, um resultado inesperado: concluiu o regime global de proteção às florestas, que vinha sendo negociado há 10 anos e interessa muito ao Brasil.
O mecanismo é conhecido pela sigla Redd+ e trata da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação. É uma maneira de tentar fazer com que a cobertura florestal mundial seja preservada e restaurada. Países que protegerem as suas florestas receberão recursos para isso, desde que as monitorem e comprovem a preservação. As regras técnicas para tanto foram fechadas em Bonn.
"Foi uma vitória", celebrou Raphael Azeredo, diretor do departamento de meio ambiente e temas especiais do Ministério das Relações Exteriores. "A aprovação das decisões que completam o marco de Redd+ possibilitará a países com expressiva cobertura florestal, como o Brasil, acessar fundos internacionalmente para desenvolver programas de redução de emissões em florestas", disse ao Valor, por telefone, o chefe dos negociadores brasileiros em Bonn.
O pacote técnico de proteção das florestas já havia sido quase fechado na reunião de Varsóvia, em 2013, mas restavam três pendências. Agora há ferramentas que indicam como monitorar as florestas e regras que definem como devem ser as salvaguardas para proteger direitos de povos indígenas ou proteger a biodiversidade, por exemplo.
O próximo passo será a conferência de Paris, em dezembro, aprovar o que foi decidido no fórum técnico de Bonn. E definir de onde virão os recursos financeiros para proteger as florestas.
"Conseguimos as regras do jogo para Redd+. O próximo passo é implementar o que se decidiu", afirmou Josefina Brana, diretora de política do programa global de florestas e clima da ONG WWF. "Fechamos um tópico do acordo e isso é importante. Demonstra que o processo multilateral pode funcionar."
Se no capítulo sobre florestas a rodada de Bonn foi surpreendente, houve poucos avanços em todo o resto do acordo climático global.
"O texto do acordo de Paris é um par de óculos por onde todos nós iremos olhar para ver um futuro mais seguro. Mas, neste momento, os óculos estão sujos e é difícil ver adiante", resumiu Mohamed Adow, conselheiro de mudança do clima da ONG Christian Aid.
"Esperamos que o acordo em Paris acelere a mudança de rota da economia global baseada em combustíveis fósseis para as fontes renováveis de energia e que ajude as comunidades vulneráveis a lidar com os impactos climáticos", afirmou Aldem Meyer, diretor de política e estratégia da Union of Concerned Scientists. Em julho, 50 ministros participarão de um encontro em Paris. "Os ministros têm que aproveitar este período para guiar politicamente seus negociadores a retomarem o acordo na próxima rodada", seguiu Meyer.
Restam apenas 10 dias de negociação antes da conferência de Paris começar, em 30 de novembro - uma rodada em agosto e outra em outubro. "Não vimos tanto progresso em Bonn quando teríamos desejado", disse a representante da União Europeia Elina Bardram.
Os dois co-presidentes das rodadas climáticas - o argelino Ahmed Djoghlaf e o americano Daniel Reifsnyder -receberam a tarefa de organizar as 85 páginas, retirar propostas parecidas e tornar possível que o texto possa ser negociado nos próximos encontros. "Do jeito que estava era inviável", disse um diplomata.

Valor Econômico, 12/06/2015, Internacional, p. A9

http://www.valor.com.br/internacional/4091174/acordo-global-de-floresta…

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