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AÇÕES DE SAÚDE PARA COMUNIDADES QUILOMBOLAS MALUNGU reúne com a Coordenação Estadual de Saúde Indígena e das Populações Tradicionais (Cesipt) para cobrar ações emergenciais de combate à COVID-19 nos quilombos

Conaq
Autor: Marcio Nascimento
23 de mai de 2020

Antes mesmo das medidas restritivas adotadas pelo Governo do Estado do Pará para tentar impedir o avanço do novo Coronavírus, as nossas comunidades quilombolas já tomavam medidas próprias para tentar impedir o avanço do contágio da COVID-19 dentro dos seus territórios. Publicamos aqui neste Grupo várias ações de comunidades montando as suas barreiras sanitárias para impedir a entrada e saída de pessoas nos seus territórios.

Essa iniciativa das comunidades quilombolas embora seja fundamental para conter o avanço da doença, ela não é suficiente para impedir os danos causados pelo isolamento social. Aliás, a pandemia da COVID-19 só veio evidenciar mais o descaso do Poder Público para com as comunidades quilombolas deste estado, pois inexiste por parte dos entes federativos (Governos Federal, Estadual e Municipais) uma política pública voltada à população quilombola. A MALUNGU já denunciou isso ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público Estadual (MPE).

Até essa quinta-feira (21) a MALUNGU e o INSTITUTO SACACA DA UFOPA, que fazem um levantamento independente sobre a doença, contabilizavam 12 mortes de quilombolas aqui no Pará. Esse número de mortes é maior do que o registrado pelo Paraguai, país com pouco mais de 7 milhões de habitantes e que até o momento registrou 11 óbitos.

As políticas públicas, sobretudo de saúde, estão concentradas nas áreas urbanas, isto é, em Belém, Ananindeua e algumas outras cidades polos do estado, que, inclusive, contam com Hospitais de Campanha. Entretanto, como dito anteriormente, os quilombolas são esquecidos em suas comunidades. Aliás, cabe ressaltar que na maioria das comunidades quilombolas inexiste Posto de Saúde com atendimento médico adequado, e quando existe Posto de Saúde não tem médico, nem enfermeiro, e muito menos medicamentos básicos, não tem nada! Até agora os quilombolas estão largados a própria sorte, contando com misericórdia Divina para não serem tragados por esse inimigo invisível que é o coronavírus.

Diante dessa situação a MALUNGU, representada pelos companheiros Aurélio Borges, Raimundo Magno e Dunga, reuniu na SESPA, no dia de ontem (21), com a Coordenação Estadual de Saúde Indígena e das Populações Tradicionais (CESIPT) para cobrar ações imediatas em favor das comunidades quilombolas, levando em consideração as necessidades especificidades de cada uma delas.

Ressalta-se que desde o início dessa pandemia da COVID-19, a MALUNGU criou um Comitê de Enfrentamento aos efeitos provocados pela doença, um grupo que reúne mais de 100 pessoas para auxiliar nas ações de solidariedade. Além de uma frente voltada à saúde, com médicos e enfermeiras quilombolas que contribuem com orientações, o Comitê possui grupos que atuam com questões jurídicas, com auxílio emergencial para acesso à Renda Básica e com a preparação de campanhas de arrecadação.

#VidasQuilombolasImportam!

http://conaq.org.br/noticias/acoes-de-saude-para-comunidades-quilombola…

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