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Acesso a esgoto, ausente para 23 mi de casas, piora em 10 estados

FSP, Cotidiano, p. B1
23 de mai de 2019

Acesso a esgoto, ausente para 23 mi de casas, piora em 10 estados
Dez estados do país têm piora no acesso à rede de esgoto
No Norte, a falta do serviço atinge 74,1% dos domicílios; um quinto dos lares usa lenha ou carvão

Luisa Leite
RIO DE JANEIRO

Dez estados brasileiros tiveram uma piora no índice que mostra o acesso à rede de esgoto entre 2017 e 2018. A maior foi em Pernambuco, onde a proporção de domicílios com acesso à rede caiu 5,2 pontos percentuais

A conclusão é de pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta quarta-feira (22) que mostrou também que cerca de 23 milhões de domicílios brasileiros em 2018 não estavam conectados à rede de coleta de esgoto.

O número representa 33,7% das residências, ou seja, aproximadamente um em cada três domicílios não tinha escoamento por rede geral ou por fossa ligada à rede de esgoto no ano passado.

Os dados pertencem à pesquisa Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018, feita com base em informações coletadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C).

"É importante deixar claro que esses números mostram apenas o acesso à rede, não estamos discutindo qualidade, tratamento, se a rede é adequada ou não", diz Adriana Araújo Beringuy, analista da Pnad Contínua.

Desde que começou a ser feita, em 2016, houve pouca melhora na proporção de domicílios que possuem acesso ao serviço. Há dois anos, o índice era de 65,9%, uma diferença de apenas 0,4 ponto percentual.

Nas regiões Norte e Nordeste, o problema é ainda mais grave. No Norte, a falta do serviço atinge 78,2% dos domicílios. No Nordeste são 55,4% das casas sem tratamento.

O menor índice é do Piauí, onde 93% das residências não têm coleta, seguido de Rondônia, com 90,2%. O estado de São Paulo possui o maior índice de acesso ao serviço, que está ausente em apenas 7,4% das casas.

Dez estados tiveram uma piora no índice que mostra o acesso ao esgoto entre 2017 e 2018. A maior foi em Pernambuco, onde a proporção de domicílios com acesso à rede caiu 5,2 pontos percentuais.

A pesquisa também mostra que mais de 17 milhões de domicílios brasileiros não têm disponibilidade diária de água, o que representa 11,7% do total.

Em três estados, a falta de água atingia mais de 40% dos domicílios: Rio Grande do Norte (40,2%), Acre (60,3%) e Pernambuco (61,4%).

"O Brasil ainda tem cerca de 19 milhões de pessoas que, apesar de viverem em domicílios que até têm acesso à rede geral de água, não têm fornecimento diário. E dessas 19, 12 milhões estão concentradas no Nordeste", afirma Araújo.

Um destaque é Brasília. Na capital, a disponibilidade diária de água era de 99,7% em 2016, mas despencou para 43,3% em 2017. No ano passado, o índice foi a 64,4%, ainda inferior ao nível no ano inicial da pesquisa.

De acordo com Araújo, os números são explicados pelo racionamento do uso de água adotado no Distrito Federal, que vigorou até o ano passado.

Quanto à coleta de lixo diária nos domicílios, o número permaneceu estável, chegando a 82,1%. Apenas no Maranhão o serviço falta para mais de 50% das casas.

No total, são cerca de 21 milhões de brasileiros morando em domicílios sem coleta de lixo. A maioria está concentrada no Nordeste (10,5 milhões) e no Norte (3,8 milhões).

PREÇO DO GÁS
A pesquisa também aponta que cerca de 14 milhões de lares usa lenha ou carvão como combustível para preparar alimentos, quase 20% do total.

Em 2016, o número era de 11 milhões. O maior avanço ocorreu no Sudeste, onde o índice foi de 6% em 2016 para 9,4% dos domicílios no ano passado.

Em 2016, a Petrobras passou a adotar uma nova política de preços para combustíveis, incluindo o gás, tendo como parâmetro as cotações internacionais. A decisão resultou na alta do preço do botijão. Agora, o setor estuda medidas para aumentar a competição no setor.

RAÇA
A pesquisa também mostra o crescimento das pessoas que se declaram pretas e pardas. Em 2012, a população preta representava 7,4% dos residentes. No ano passado, chegou a 9,3%. Já o número de pardos saltou de 45,3% para 46,6% no mesmo período.

De acordo com Araújo, o movimento de crescimento da população parda é algo esperado, devido à miscigenação. O levantamento sobre raça é feito a partir da declaração do entrevistado, não sendo determinado pelo entrevistador. Por esse motivo, uma das explicações que pode ser atribuída ao avanço do índice é um aumento da autodeclaração devido à uma mudança de percepção do entrevistado.

A Bahia foi o estado com maior contingente de pessoas declaradas pretas (22,9%). Foi também o único estado onde a autodeclaração de pretos ultrapassou a de brancos (18%). O segundo estado com maior contingente de pretos foi o Rio de Janeiro, com 13,4%.

Apenas quatro estados tiveram um número de brancos maior que a soma de pretos e pardos: Santa Catarina (79,9%), Rio Grande do Sul (78,6%), Paraná (65,5%) e São Paulo (59,1%).

FSP, 23/05/2019, Cotidiano, p. B1

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/05/dez-estados-do-pais-tem…

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