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Ação em defesa da floresta

CB, Brasil, p. 14
11 de Out de 2005

Ação em defesa da floresta

Leonel Rocha
Da equipe do Correio

Antes mesmo da votação final no Congresso Nacional e da conversão em lei, com a sanção presidencial, os senadores decidiram alterar a futura legislação que permitirá a concessão de grandes áreas da Floresta Amazônica para serem exploradas por empresas nacionais e de capital estrangeiro. As principais mudanças previstas são: concessões de áreas acima de 2.500 hectares terão que ser confirmadas pelo Congresso Nacional, o Conselho de Defesa Nacional dará a palavra final quando as permissões para uso ocorrerem na faixa de fronteira entre o Brasil e os países vizinhos e, finalmente, ampliação de cinco para 11 do número de componentes do Conselho de Gestão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal.
No texto aprovado na última quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado - e que agora depende de votação no plenário - não constam estas medidas, que serão apresentadas em um novo projeto de lei a ser elaborado pelo senador Jefferson Perez (PDT-AM). É uma espécie de projeto paralelo que deverá ser apresentado ainda nos dias seguintes à sanção presidencial. Esta foi a forma encontrada pelos parlamentares para aprovar rapidamente o projeto atual, de interesse do governo e que exigiu tramitação em regime de urgência, sem a necessidade de nova votação pela Câmara dos Deputados, o que poderia demorar vários anos. A proposta é polêmica, divide o próprio governo e os congressistas; assusta os cientistas e irrita os militares nacionalistas.
Rigor
A apresentação de um novo projeto de lei foi a alternativa encontrada pelos senadores Morazildo Cavalcanti (PPS-TO) e Geraldo Mesquita (PSol-AC) que são contra as concessões de florestas como estão propostas. Eles querem tornar a lei mais rigorosa para tentar evitar a exploração predatória da floresta. A exigência de aprovação pelo Congresso das concessões de áreas acima de 2.500 hectares, por exemplo, já consta da Constituição. Mas os parlamentares preferiram deixar a exigência explícita na lei específica.
No novo projeto, representantes dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Integração, Meio Ambiente, Agricultura, Defesa e Desenvolvimento da Indústria e Comércio vão compor o conselho do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, responsável pela licitação das áreas e arrecadação do dinheiro pago pelas empresas nos leilões.
O acordo prevê que a composição do conselho será ampliada para representantes dos ministérios público estaduais e federal, Ordem dos Advogados, Senado e Câmara. Outra medida restritiva prevista - a aprovação pelo Conselho de Defesa Nacional quando as concessões forem na faixa de fronteira - também está prevista, mas enfrenta uma desconfiança dos parlamentares contrários: este conselho nunca se reuniu no governo do presidente Lula. "Parece que a ministra Marina Silva está sendo vítima de pressão vinda de organizações não-governamentais e de multinacionais que estão interessadas na exploração da madeira e em realizar a biopirataria na região", denunciou o senador Morazildo Cavalcanti (PPS-TO).
Além disso, no novo texto constará a obrigatoriedade de que o diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), novo órgão a ser criado na lei de concessões, seja indicado pelo presidente da República, mas tenha que passar obrigatoriamente por uma sabatina no Senado, como ocorre com os diretores do Banco Central e das agências reguladoras. Esta obrigatoriedade constava do projeto original que saiu do ministério do Meio Ambiente, mas tinha sido retirada na Câmara dos Deputados.
Durante a votação da proposta na CCJ do Senado, o presidente da comissão, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), mandou prender o geólogo Múcio Nobre que, em protesto, começou a cantar o hino da Independência. Detido por seguranças, o representante da Federação Brasileira de Geólogos fez uma denúncia ao Ministério Público Federal que vai abrir uma investigação para apurar as circunstâncias da prisão do servidor. O projeto deve ser votado ainda esta pelo Senado e, em seguida, encaminhado ao presidente Lula para sanção.

CB, 11/10/2005, Brasil, p. 14

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