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Açaí, fruta do Pará para o mundo

OESP, Agrícola, p. G3
20 de Out de 2004

Açaí, fruta do Pará para o mundo
Embrapa Amazônia Oriental põe mudas e sementes à venda, na expectativa de aumentar produção com plantio em terra firme

Beth Melo

Bastante apreciado no Pará, que tem cerca de 3 mil pontos-de-venda e consome 440 mil quilos por dia, o açaí vem atraindo o interesse de outros Estados brasileiros, segundo o Departamento Intersindical do Estudos Estatísticos Socioeconômicos (Dieese/Pará). A demanda de polpa dessa fruta nativa da Amazônia é de 500 toneladas por mês no Rio de Janeiro, líder no consumo, e de 150 toneladas em São Paulo, conforme o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Oscar Nogueira.
Desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental, a primeira cultivar comercial de açaí do mundo já tem mudas e sementes registradas à venda. O lançamento, porém, será feito em novembro. "A expectativa é a de que ocorra um aumento considerável da produção de frutos de açaí, a partir do plantio em terra firme", informa o coordenador do projeto, João Tomé Faria Neto.
Segundo a Embrapa, cerca de mil toneladas de açaí são embarcadas mensalmente para outros países, em maior volume para Japão, Holanda, Estados Unidos e Itália. O açaí segue em forma de mix, um composto à base do suco da fruta e outros produtos como guaraná e acerola. De acordo com Nogueira, a produção nacional de açaí está em torno de 123 mil toneladas de fruto ao mês, sendo o Pará responsável por 92% do total, o que garante uma renda anual de cerca de R$ 63 milhões. O Estado tem cerca de 2 mil pés de açaí plantados em terras firmes, de mudas que não passaram por acurada seleção.
A média de crescimento do setor tem sido da ordem de 10% ao ano, nos últimos seis anos, graças ao aumento da área plantada, da ampliação da colheita em áreas nativas e aumento também da produção, conforme Nogueira. O Pará é o maior produtor nacional e o maior volume da produção vem de açaizais nativos.
As pesquisas da nova cultivar a campo foram realizadas com o produtor Jorge Jacob, credenciado para produzir as primeiras sementes e mudas, que já estão sendo comercializadas. Em sua propriedade, em Santa Isabel (PA), 750 árvores já estão em produção, com rendimento de polpa bem superior ao material tradicionalmente utilizado. "A cultivar Pará apresenta pouca variação em rendimento de polpa, entre 15% e 25%, ao contrário do material que comumente é utilizado, que varia de 6% a 25%", afirma.
Além da redução do risco de acidentes de trabalho, pois a cultivar é de porte bem pequeno, outra vantagem é a qualidade do produto, principalmente no aspecto higiene. O manejo adequado do plantio em áreas de várzea é fundamental para evitar a contaminação do fruto, sobretudo na coleta, quando ele é jogado do alto da palmeira para o chão. Pode haver também contaminação por fezes de animais, em áreas alagadas, quando os cachos são arrastados para o local de ajuntamento. O plantio, em terra firme, impede que isso aconteça.
Para desenvolver a nova cultivar, a Embrapa Amazônia Oriental manteve parceria com a Agência de Cooperação Técnica do Japão (Jica) para o projeto, que foi financiado pelo Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do Governo do Pará (Funtec).
As mudas à venda, que têm idade entre 4 e 8 meses e altura de 40 a 60 centímetros e, custam R$ 1,00 a unidade. As sementes custam R$ 30 o quilo.
Saiba mais: Embrapa Amazônia Oriental, tel. (0--91) 299-4500

OESP, 20/10/2004, Agrícola, p. G3

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