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24 fiscais do Ibama são presos no Rio por forjar laudos

OESP, Nacional, p. A12
31 de Ago de 2006

24 fiscais do Ibama são presos no Rio por forjar laudos
Acusados autorizavam obras em áreas preservadas

Roberta Pennafort

Vinte e quatro fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de um total de 87 servidores no Estado do Rio, foram presos ontem pela Polícia Federal durante a Operação Euterpe. Eles foram indiciados por uma série de crimes, entre eles a venda de pareceres técnicos forjados a construtoras para que elas erguessem empreendimentos em áreas de proteção ambiental. Sete empresários também foram capturados.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do Ibama, Marcus Barros, viajaram para o Rio na terça para se reunir com os 200 agentes da PF que participariam da ação. Ontem, os dois anunciaram as prisões. Os fiscais atuavam em municípios onde é grande a especulação imobiliária para construção de condomínios e hotéis, como Angra dos Reis, Cabo Frio e Niterói, além da Baixada Fluminense.

Os chefes dos escritórios do Ibama de Angra, Sergio Antônio Silva de Almeida, e de Cabo Frio, Alípio Villanova do Nascimento, estão na lista dos presos. Assim como o técnico Daniel de Oliveira Gomes, que trocou laudo técnico favorável à construção de um condomínio por um apartamento no empreendimento. Com ele, foi apreendido um carro do Ibama com processos relativos a licenciamentos. Outro técnico, cujo nome não foi divulgado, foi filmado negociando um parecer por R$ 6 mil. "Alguns laudos chegaram a ser negociados por R$ 200 mil", disse Alexandre Saraiva, delegado federal que comandou a ação.

O delegado explicou que, além de vender laudos, os fiscais recebiam propina para permitir a pesca na época do defeso, quando os peixes e crustáceos se reproduzem, o que é proibido. Dois comerciantes de pescado, Rafael Francisco Santoro e Francesco Tommaso, foram presos. Santoro já havia sido autuado por pesca ilegal, em janeiro do ano passado. Tommaso é presidente da Associação dos Pregoeiros (leiloeiros) de Pescados e Afins do Estado.

Segundo o delegado, a apuração começou em julho de 2005, com a denúncia de um servidor do Ibama. Ele era recém-concursado e revelou detalhes sobre a ampla rede de corrupção.

Todos responderão por crime ambiental, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e formação de quadrilha. Os funcionários serão exonerados e as construções irregulares, demolidas. "Estamos pondo freio em algo que é avassalador", destacou Marina.

A Operação Euterpe teve como ponto de partida a investigação do crime de extração de palmito na Reserva Biológica do Tinguá, na Baixada Fluminense - daí o nome Euterpe, espécie de palmito. Foi na região que ocorreu o assassinato do ambientalista Dionísio Júlio Ribeiro Filho, em 2005. A Euterpe é a 12ª operação realizada em conjunto pela PF e Ibama - 93 funcionários já foram presos, além de outras 264 pessoas.

Colaboraram Bruno Lousada e Clarissa Thomé

Quadrilhas vêm de outros governos, diz diretor da PF

Vannildo Mendes

O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, disse ontem que quase todas as quadrilhas desmanteladas pela instituição nos últimos anos foram criadas em gestões anteriores. A declaração vem um dia após o ex-presidente Fernando Henrique acusar o atual governo de ter empurrado o Brasil "para o ponto mais baixo da história".

"Essas quadrilhas começaram nos governos anteriores, continuaram ativas no atual e hoje sofrem combate sem trégua", disse. Segundo ele, há corrupção desde 1500. "Mas nunca houve trabalho tão intenso de combate à corrupção como nos últimos anos, neste governo." No total, foram mais de 280 ações.

OESP, 31/08/2006, Nacional, p. A12

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