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2016 será o ano mais quente da História, diz instituto

O Globo, Sociedade, p. 31
18 de Dez de 2015

2016 será o ano mais quente da História, diz instituto
El Niño e aquecimento global farão temperatura bater novo recorde

Renato Grandelle

RIO - Para quem não gosta de calor e sofre com os termômetros - inclusive nestes últimos dias -, um aviso: vai piorar. O Met Office, instituto de meteorologia do Reino Unido, divulgou ontem a previsão de que 2016 desbancará 2015 como o ano mais quente desde o início dos registros, em 1880. A previsão é que a temperatura média global será 1,14 grau Celsius acima da observada antes da Revolução Industrial, aumentando o desafio de restringir o avanço dos termômetros a menos de 1,5 grau Celsius, como determina o Acordo de Paris, assinado semana passada na Conferência do Clima (COP-21).
Segundo o instituto, há apenas 5% de chances de a temperatura média no mundo em 2016 ser inferior à de 2015. Dois fatores explicam a quentura do ano que vem: o aquecimento global - já que a emissão de poluentes ainda é ascendente - e o fenômeno El Niño. O episódio atual é o maior desde 1998 e está atingindo seu pico neste momento, mas seus efeitos levarão alguns meses para se espalhar pelo planeta.
- O El Niño começou em setembro de 2015 e pode durar até outubro de 2016 - alerta Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima. - Vivemos anos consecutivos batendo recordes de temperatura: 2014 foi o ano mais quente; depois, 2015. Podemos ter entrado em um ponto em que os eventos extremos não vão desacelerar.
O registro de anomalias na temperatura global do Met Office mostra que 2014 e 2015 foram os anos mais quentes, e 2016 deverá ser ainda pior - Divulgação/Met Office
Vice-presidente da Conservação Internacional no Brasil, Rodrigo Medeiros ressalta que 2016 pode não reinar muito tempo como o ano mais quente.
- Estes recordes serão constantes, ao menos nos próximos dez anos - calcula. - Será assim porque os países ainda não atingiram seu pico de emissões. Ainda veremos consequências severas para o homem e o ecossistema.
Medeiros acredita que ainda vai demorar até que as políticas de adaptação às mudanças climáticas tenham resultado.
- Não dá para tirar o navio de uma hora para outra da rota do iceberg - compara. - Por enquanto, é inevitável passar por eventos como longas estiagens, que aumentam ainda mais as temperaturas e nos jogam em uma crise hídrica. Este fenômeno, que marcou 2015, vai se repetir.
Para Gilvan Sampaio, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe), as estatísticas sobre 2016 mostram que será impraticável limitar o aumento da temperatura nos parâmetros exigidos na COP-21.
- As emissões continuarão crescentes, e vão se juntar aos poluentes que há séculos circulam pela atmosfera - explica. - A tentativa de conter o aumento da temperatura em apenas 1,5 grau Celsius é boa, mas não será atingida sem haver uma radical diminuição do uso de combustíveis fósseis. E parece que a única maneira de fazer os governos se mexerem sobre esta necessidade é ver o abalo causado por eventos como enchentes e secas extremas, que já são aguardados no ano que vem.
RESERVATÓRIOS VAZIOS
No Brasil, o El Niño aumenta as precipitações na Região Sul e a estiagem no Nordeste. Parte da Amazônia também sofre uma seca intensa, levando a mais queimadas e à devastação da floresta. Em algumas regiões da mata, a temperatura já aumentou 6 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.
O Sudeste deve se preparar para ver mais uma vez seus reservatórios vazios. As pancadas de chuva irregulares "desobedecem" os registros históricos usados para o planejamento da distribuição de energia.
Mario Barroso, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, destaca que o país pagará cada vez mais caro por ser refém do setor hidrelétrico, com baixo investimento em outras fontes de energia, como a eólica e a solar.
- A dependência de nossa matriz energética é perigosa - pondera.
O início do verão no Rio promete ser calorento, mas não tanto quanto nas últimas duas edições da estação. Um sistema de alta pressão bloqueou a entrada de frentes frias e de chuvas no Sudeste, jogando a temperatura média em janeiro para 37 graus em 2014 e 36,4 graus Celsius neste ano.
- Em janeiro de 2016, esta média não deve passar de 35 graus Celsius - revela Patricia Madeira, diretora de meteorologia do Climatempo. - Será um verão mais quente do que o normal, mas o El Niño dificultará a formação de bloqueios atmosféricos. No lugar deles, teremos rápidos temporais no fim da tarde.

O Globo, 18/12/2015, Sociedade, p. 31

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/2016-sera-ano-mais-q…

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