O Globo, Economia, Eco Verde, p. 30
Autor: VIEIRA, Agostinho
06 de Jan de 2011
2011, ano de plantar florestas e colher divisas
A Organização das Nações Unidas declarou 2011, oficialmente, como o Ano Internacional das Florestas. O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação para se chegar a uma vida sustentável no planeta. No Brasil, apesar dos avanços dos dois últimos anos, ainda estamos longe de considerar resolvido o problema do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Mas já podemos mudar de patamar e começar a discutir seriamente um amplo programa de reflorestamento que seja viável economicamente.
O cientista Carlos Nobre, do INPE, acredita que o país precisa ter metas anuais de plantio, que poderiam começar com dois mil km2/ano, chegando a dez mil km2/ano ao longo dos próximos dez anos. Para efeito de comparação, no ano passado, foram desmatados 6.450 km2 na Amazônia. Ele cita os exemplos dos Estados Unidos, da Europa, do Japão e da Austrália, que têm bons programas de reflorestamento.
- Chegamos a um nível em que fica muito mais difícil reduzir o desmatamento. Sempre haverá algum resíduo, mas temos que superá-lo com o ganho de áreas florestadas, por espécies nativas ou outras com valor de mercado. A oportunidade econômica é enorme e dá para financiar grande parte do investimento com os ganhos da indústria do setor ou com créditos de carbono - argumenta o cientista.
Carlos Nobre acredita que não há mais espaço político e econômico para o crescimento da agricultura e da pecuária sobre as florestas. Ele dá como certa a criação de um selo verde internacional para a produção agrícola. Com isso, setores com baixa produtividade e altas emissões de gases de efeito estufa tendem a perder mercados. A hora é de investir em tecnologia e em gestão para não ficar à margem dessa nova economia.
O Globo, 06/01/2011, Economia, Eco Verde, p. 30
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