VOLTAR

Usina de Teles Pires tem pouca oposição; licença deve ser cedida

FSP, Mercado, p. B7
23 de nov de 2010

Usina de Teles Pires tem pouca oposição; licença deve ser cedida
Última audiência pública ocorre hoje, no norte do Mato Grosso

Agnaldo Brito
Enviado especial a Alta Floresta (MT)

A terceira e última audiência pública sobre o projeto hidrelétrico de Teles Pires, que deverá ser construído na divisão entre os Estados de Mato Grosso e Pará, acontece hoje em Jacareacanga (PA).
As audiências nas cidades do norte do Mato Grosso (Paranaíta e Alta Floresta) foram feitas no último fim de semana sem grande oposição.
O empreendimento reafirma a decisão do governo federal de explorar o potencial hidrelétrico na região Amazônica e as discussões nas duas primeiras audiências indicam pouca oposição e forte tendência para concessão da licença prévia em tempo para incluir o projeto no leilão de 17 de dezembro.
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética, responsável por todos os estudos de viabilidade) afirma que o leilão pode ser prorrogado em alguns dias para a obtenção da licença. Segundo Amílcar Guerreiro, diretor da EPE presente às audiências, essa é uma possibilidade considerada neste momento.
A data limite para obtenção da licença, condição para incluí-la na licitação, é 13 de dezembro, o que ainda pode mudar se o Ibama (agência federal encarregada de avaliar e licenciar) indicar necessidade de prazo maior.
Embora possa haver ajustes de datas, a tendência é que ocorra ainda em 2010.
A usina, de 1.820 megawatts, é o principal aproveitamento hidrelétrico da bacia do rio Teles Pires. Outras quatro estão previstas (só uma com licença concedida).
O investimento estimado para a usina é de R$ 2,4 bilhões, que inclui R$ 300 milhões para indenização e para custeio de programas de compensação.

Empreiteiras também têm interesse na obra

Do enviado a Alta Floresta (MT)

Além das geradoras de energia, todas as grandes empreiteiras devem compor consórcios para terem liderança na construção da usina de Teles Pires. As subsidiárias da Eletrobras também deverão fazer parte dos consórcios, como, em regra, tem ocorrido nas últimas concessões.
Tamanho interesse pelo projeto tem relação, em parte, pela baixa resistência local ao empreendimento, além do número reduzido de pessoas que habitam a região. São 303 famílias que serão atingidas, ou 1.111 moradores.
Uma pequena parte desse contingente precisará ser removida das áreas -os números terão de ser confirmados pelo vencedor do leilão, mas foi pouco questionado nas audiências públicas.
O que fica claro após as principais audiências para discussão do aproveitamento hidrelétrico de Teles Pires é que o governo conseguiu, pós-Belo Monte, quebrar a resistência de organizações contrárias à implantação de novos empreendimentos hidrelétricos dentro da região amazônica. Além das cinco usinas do Teles Pires, o governo prepara outras cinco hidrelétricas no chamado Complexo Tapajós. (AB)

FSP, 23/11/2010, Mercado, p. B7

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2311201013.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2311201014.htm

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.