VOLTAR

Represa ameaçada

FSP, Opinião, p. A2
26 de abr de 2005

Represa ameaçada

É sombrio o quadro que emerge dos estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental sobre a represa Billings. Segundo a organização, nos próximos 50 anos o reservatório situado na região metropolitana de São Paulo poderá ter mais da metade de sua capacidade de armazenamento comprometida. A deterioração está estreitamente relacionada com a ocupação ilegal das áreas de manancial.
O adensamento da população contribui para o assoreamento dos braços da represa e gera aumento da quantidade dos poluentes despejados, diminuindo a profundidade do leito e favorecendo a proliferação de microorganismos que tornam a água inadequada para o consumo humano. Para piorar o quadro, as próprias nascentes que alimentam o reservatório têm sido afetadas.
A ocupação irregular de áreas de manancial teve início na década de 70 e sua expansão só pode ser explicada pela incúria de sucessivas administrações municipais e estaduais. O descalabro chegou a tal ponto que se tornou inviável remover todos os que ali se instalaram ao longo desses anos. Estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas vivam em regiões de mananciais na Grande São Paulo.
Ainda é possível, todavia, promover a retirada daqueles que ocupam faixas mais próximas das águas e fornecer infra-estrutura às demais habitações, de modo a assegurar que o esgoto não polua os reservatórios. É também factível que o poder público cumpra suas obrigações e evite que novos ocupantes venham a se instalar nesses locais.
Os problemas que atingem a Billings e outras represas são especialmente graves quando se sabe que a água torna-se bem cada vez mais escasso. É imperativo, portanto, que as administrações estadual e municipais trabalhem para deter o quanto antes esse processo de degradação.

FSP, 26/04/2005, Opinião, p. A2

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.