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PF investiga grupo que teria organizado 'dia do fogo'

FSP, Ambiente, p. B6
05 de set de 2018

PF investiga grupo que teria organizado 'dia do fogo'
Investigação do 'dia do fogo' tem dezenas de alvos e celular atirado no rio
Polícia Federal chegou na terça-feira (3) a Novo Progresso para iniciar apuração do caso

Carla Aranha
NOVO PROGRESSO

Os últimos dois dias foram agitados em Novo Progresso, no Pará. Desde terça (3) de manhã, o entra e sai na delegacia local foi intenso. Passaram pela delegacia local figuras conhecidas como o comerciante Ricardo de Nadai, apontado como o fundador do grupo de WhatsApp "Sertão", que teria planejado as queimadas na região naquele que ficou conhecido como "dia do fogo".
A ação se deu em 10 de agosto. Áreas de mata e de terra desmatada foram incendiadas à beira da BR-163.
De Nadai negou as acusações. Cerca de 70 pessoas, entre comerciantes, madeireiros, pecuaristas e produtores rurais, formavam o grupo. Na terça (3) e na quarta (4), a delegacia de Novo Progresso ouviu vários integrantes do grupo, além de outros suspeitos, e colheu depoimentos. Os acusados têm evitado falar com a imprensa.
Depois que os interrogatórios forem encerrados, poderá ser dada uma ordem para busca e apreensão dos celulares dos suspeitos. O pedido deve partir da Polícia Federal, que também investiga o caso.
Uma equipe da Polícia Federal formada por dois agentes, um delegado e um escrivão saiu de Brasília e chegou nesta terça-feira a Novo Progresso, cidade de 25 mil habitantes, em que há mais bois (500 mil) do que gente.
"Se as pessoas citadas no inquérito para apurar o 'dia do fogo' se recusarem a ceder seus celulares para averiguação sobre o grupo de WhatsApp que teria planejado as queimadas, os aparelhos deverão ser apreendidos", diz Mario Sergio Nery, delegado-chefe da Polícia Federal em Altamira.
No último dia 26, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, convocou uma reunião de emergência, em Brasília, com procuradores e autoridades dos oito estados da Amazônia para discutir a formação de grupos para programar as queimadas e a possível causa dos incêndios, que se alastraram na região de Novo Progresso e outras áreas. Em Altamira, a cerca de 900 km de distância, também foram registrados grandes focos de incêndio.
Corre na cidade o boato de que De Nadai e outros integrantes do grupo Sertão teriam jogado o celular no rio Jamanxim, que fica a 4 km do centro da cidade.
A Polícia Federal e a polícia de Novo Progresso continuam as investigações, que não têm prazo para acabar. Caso fique comprovada a origem e autoria dos incêndios, os acusados poderão pegar de um a cinco anos de prisão, por incitação ao crime e crime ambiental.
Para ajudar a apagar o fogo, o Exército instalou na segunda-feira (2) uma base em Novo Progresso, com mais de 200 militares. Uma boa parte deles têm formação de brigadista e atua no combate a incêndios.
Os esforços fazem parte de um trabalho conjunto realizado pela Polícia Federal, as Forças Armadas, o Ibama e a Força Nacional de Segurança para investigar as suspeitas a respeito de uma ação criminal orquestrada para colocar fogo na região.
As queimadas aconteceram principalmente em áreas próximas a BR-163, em locais em que a mata já sido derrubada e em regiões de floresta, apesar de reportagem alertando para esse risco ter sido publicada no jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso, em 5 de agosto.
Especuladores imobiliários promovem desmatamentos em áreas devolutas, unidades de conservação ambiental e reservas indígenas, e agem em conluio com os cartórios locais para obter títulos falsos de propriedade e vender a terra. Pecuaristas também cortam as árvores e fazem queimadas para ter mais espaço para pasto. Alguns faziam parte do grupo que teria planejado as queimadas.
Segundo ofício enviado ao Ibama pelo Ministério Público Federal no dia 7 de agosto, o grupo Sertão, do WhatsApp, teria expressado que uma das suas intenções como o dia do fogo era "chamar a atenção das autoridades que na região o avanço da produção acontece em apoio ao governo".

FSP, 05/09/2019, Ambiente, p. B6

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/09/investigacao-do-dia-do-f…

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