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PF em acao

FSP, Opiniao, p.A2
04 de jun de 2005

PF em ação
E m mais uma operação de grandes proporções, a Polícia Federal prendeu na quinta-feira dezenas de suspeitos de extração e transporte ilegal de madeira em Mato Grosso.
A chamada "Operação Curupira", segundo informou-se, foi fruto de nove meses de investigações realizadas com o objetivo de desarticular um esquema envolvendo madeireiros e funcionários públicos ligados ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e à Fema (Fundação Estadual do Meio Ambiente). Entre os presos estão o gerente-executivo do Ibama em Cuiabá e o secretário estadual do Meio Ambiente do governo Blairo Maggi.
De acordo com levantamentos dos analistas ambientais do Ibama, a quadrilha já havia transportado uma quantidade de madeira ilegal avaliada em R$ 890 milhões. Para recompor a área devastada serão necessários R$ 108 milhões, de acordo com o mesmo levantamento.
Os servidores corruptos forneciam falsas ATPFs (Autorizações para Transporte de Produtos Florestais) para "legalizar" os estoques irregulares mantidos por madeireiras. As ATPFs são concedidas para projetos de exploração sustentada de recursos florestais. Madeireiros e despachantes são acusados de corromper servidores e criar 431 empresas fantasmas para obter essas autorizações.
A operação da PF é bem-vinda e atesta que essa instituição vem ganhando vulto na investigação de casos relevantes, como já se verificou em outras ocasiões.
Menos elogiável é a tentativa do Planalto de utilizar a investigação como escudo, como se uma PF que cumpre suas obrigações fosse a prova final da intransigência do governo com as atividades nebulosas decorrentes do loteamento político da máquina pública -que deu lugar ao escândalo dos Correios.
Se a atuação da PF vem se tornando mais eficiente e visível, isso não basta para apagar a péssima imagem da política ambiental do governo petista e o desgaste proveniente de suas manobras para evitar a CPI.

FSP, 04/06/2005, p. A2

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