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Para MMA, questao da terra e bomba-relogio

FSP, Ciencia, p.A11
28 de mar de 2005

Para MMA, questão da terra é bomba-relógio
DA REDAÇÃO
O diretor do Programa Nacional de Florestas do MMA (Ministério do Meio Ambiente), Tasso Azevedo, diz que o estudo do Imazon mostra com dados algo que já vinha sendo verificado na prática: a exploração madeireira na floresta amazônica está se descolando do desmatamento e adquirindo uma dinâmica própria, que pode se virar contra o governo a qualquer momento.
"O volume de madeira está caindo num momento em que o desmatamento está subindo. As coisas estão descoladas", disse.
A área onde mais se desmatou no ano passado por conta da grilagem, a Terra do Meio (entre os rios Iriri e Xingu, no centro-oeste do Pará), não tem produção de madeira significativa.
"A atividade madeireira não é mais o motor do desmatamento", disse Azevedo. As pessoas estão desmatando e queimando, principalmente para fazer pastagem, continuou. Segundo o diretor, isso reflete uma tentativa de perenização da atividade madeireira -algo impraticável hoje numa região em que virtualmente inexistem títulos de terra regulares.
O ministério já encaminhou ao Congresso um projeto de lei para a concessão de florestas públicas para extração de madeira. O objetivo é forçar o setor para a legalidade, já que só poderia alugar florestas uma empresa que cumprisse os critérios do bom manejo.
Até que se aprove o projeto, a exploração em terras públicas está proibida pelo governo. Isso tem causado reações violentas do setor madeireiro, como a onda de protestos na região de Castelo dos Sonhos e Novo Progresso no começo deste ano, que levaram o governo a recuar da proibição e liberar parte dos planos de manejo suspensos em 2004.
Segundo Azevedo, o crescimento da economia florestal -que, segundo o Imazon, emprega 344 mil pessoas na Amazônia, ou 5% da população economicamente ativa- tem um lado perigoso: se a exploração não for regulamentada, será difícil conter os madeireiros. "Este ano vai ser dramático. Sem a lei, seria preciso criar outro instrumento" para viabilizar a exploração, disse. (CA)

FSP, 28/03/2005, p. A11

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