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As origens e o futuro

FSP, Ciência, p. A16
Autor: MEIRA FILHO, Luiz Gylvan
16 de fev de 2005

As origens e o futuro

Luiz Gylvan Meira Filho
Especial para a Folha

A percepção de que a redução de emissões de gases-estufa implica em mudanças na economia fez com que desde o início se buscasse negociar os percentuais de redução de emissões das nações industrializadas de forma a não alterar a sua competitividade.
Ao final se chegou a uma distribuição dos percentuais de redução entre os países industrializados em Kyoto que, naquele momento, foi aceito pelos países, mas que com a mudança na administração nos Estados Unidos, foi declarado inaceitável.
A segunda grande dificuldade foi o tratamento dos países em desenvolvimento com industrialização já em estado intermediário, como o Brasil. Esse grupo tem o compromisso de tomar medidas para limitar suas emissões, devendo fazê-lo, no entanto, sem prejuízo de seu desenvolvimento.
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, incluído no Protocolo de Kyoto, foi a solução possível, aceitável para todos, e que logrou resolver esse problema.
Para os países em desenvolvimento, o MDL tem demostrado ser uma ferramenta útil para promover o envolvimento do setor privado no esforço global de limitação de emissões.
Na minha opinião, Kyoto será seguido de outro instrumento internacional acompanhando, em grandes linhas, o protocolo atual, porém com alguns aperfeiçoamentos. Creio que deverão ser estabelecidos objetivos a prazo mais longo. Deverá haver uma opção pela adoção de metas de natureza diferente dos objetivos numéricos em termos de emissões nacionais. Acredito ainda que deverão ser mantidos mecanismos e compensação de reduções de emissões, porém com a possibilidade de incluir políticas mais abrangentes. Deveremos lograr, em cerca de dois anos, um mandato negociador detalhado para esse novo instrumento, que, por sua vez, será negociado em um prazo da ordem de dois anos também.

Luiz Gylvan Meira Filho é físico e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP. Foi um dos mentores da proposta brasileira que daria origem ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

FSP, 16/02/2005, p. A16

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