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ONU terá escritório em Niterói

O Globo, Rio, p. 17
27 de Jan de 2012

ONU terá escritório em Niterói
Unidade vai analisar projetos para a redução de desastres

Célia Costa
celia@oglobo.com.br
Deborah Berlinck
deborah.berlinck@oglobo.com.br

RIO e PARIS - A cidade de Niterói vai abrigar o escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata da Estratégia Internacional para Redução de Desastres (Eird), o primeiro no Brasil. Dois estados estavam na disputa: Rio de Janeiro e Santa Catarina. O anúncio sobre a escolha do município fluminense foi feito em Paris, pelo chefe do escritório da Eird da América Latina, Ricardo Mena. A preocupação em relação ao Rio aumentou depois da tragédia na Região Serrana, no ano passado, quando mais de 900 pessoas morreram na maior catástrofe natural do país. O escritório vai reunir especialistas de várias áreas para pensar em propostas de redução de acidentes e mortes.
Em termos históricos, o Brasil não foi afetado por eventos de grande magnitude. Mas vemos também que muitas vezes os pequenos desastres, somados, têm causado mais mortes disse Ricardo Mena.
O chefe do escritório da ONU alertou que desastres no Brasil poderão ser amplificados devido a mudanças extremas de clima. E o número de vítimas tende a aumentar com o crescimento da população e da ocupação desordenadas das cidades.
As negociações para a instalação do escritório no Brasil começaram há três anos, segundo o professor Airton Bodstein de Barros, do Departamento de Físico-Química da Universidade Federal Fluminense (UFF). O contato foi realizado, mas após várias reuniões o local ainda permanecia desconhecido. A UFF, no entanto, já reservou um lugar para abrigar o escritório. Será a Casa Amarela, que fica em frente ao campus da Praia Vermelha, entre Gragoatá e Boa Viagem.
Segundo Bodstein, que faz parte Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o escritório de representação da ONU trabalha na prevenção e é o local onde especialistas de várias partes do mundo trocam experiências. Ricardo Mena acrescenta que um dos objetivos é conscientizar a população e as autoridades locais sobre riscos. De acordo com ele, estudos mostram que para cada dólar investido em prevenção de desastres nas construções ou planejamento urbanos, economiza-se quatro dólares de prejuízo com os desastres. Ele defende uma "campanha vigorosa" junto aos prefeitos, para que pensem mais nos riscos quando decidirem o planejamento das cidades.
A ideia é dar projeção ao escritório de Niterói, para que os profissionais possam prestar serviços em toda a região da América do Sul.
O maior desafio será fazer com que a redução de riscos seja considerada parte das políticas de desenvolvimento e planificação de um país. Não há desenvolvimento sustentável de um país se não se considera a variável de riscos de desastres acrescentou Mena.

O Globo, 27/01/2012, Rio, p. 17

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