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Mudança do clima pode levar à depressão

O Globo, Sociedade, p. 29
22 de Jan de 2018

Mudança do clima pode levar à depressão
Segundo pesquisadores, efeito é maior sobre quem se preocupa mais com animais e plantas

Incêndios florestais, tempestades extremas e outros grandes eventos climáticos podem influenciar negativamente a saúde de quem não é diretamente atingido por eles. Pesquisadores da Universidade do Arizona decidiram investigar como a percepção sobre as mudanças climáticas pode afetar a saúde mental. Com o estudo, publicado esta semana no periódico científico "Global Environmental Change", eles descobriram que há quem enfrente níveis altos de estresse e depressão.

- São poucas as pesquisas que se dedicam ao efeito psicológico das mudanças climáticas - afirma Sabrina Helm, professora associada de Ciência Familiar e Consumo e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.

TRÊS TIPOS DE PREOCUPAÇÃO Os cientistas concluíram que as respostas psicológicas aos fenômenos climáticos variam de acordo com o tipo de apreensão que as pessoas têm sobre o meio ambiente. Aquelas que se preocupam muito com os animais, por exemplo, experimentam níveis altos de estresse. Os cientistas identificaram três tipos de preocupações ambientais. O primeiro é de caráter "egoísta": o indivíduo teme pelo que acontece ao meio ambiente porque ele próprio pode ser impactado. Isso ocorre, por exemplo, quando as pessoas se preocupam com a poluição do ar pensando na saúde. O segundo tipo, "altruísta", refere-se a um temor pela humanidade. Já o terceiro tipo tem a ver com a biosfera, quando o sujeito pensa, em primeiro lugar, na natureza.

Em uma pesquisa feita com 342 pais e mães de crianças pequenas, aqueles que reportaram maiores níveis de preocupação com a biosfera se mostraram mais estressados em função das mudanças climáticas. Além disso, os que externaram grande preocupação com a biosfera também demonstraram sinais de depressão forte.

- As pessoas que se preocupam com a natureza tendem a ter um ponto de vista mais planetário - explica Sabrina. - Nós já falamos sobre a extinção de determinadas espécies e sabemos que isso está acontecendo. Quem se preocupa com a biosfera enxerga o problema em todos os lugares.

A pesquisa, diz Sabrina, tem implicações importantes na saúde pública:

- Temos que olhar com cuidado também para a saúde mental das pessoas em seu dia a dia, na sua rotina.

O Globo, 22/01/2018, Sociedade, p. 29

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