VOLTAR

Lama avança e deixa cidade do Rio sem água

FSP, Cotidiano, p. C4
04 de mar de 2006

Lama avança e deixa cidade do Rio sem água
Vazamento de 400 mil m3 dos rejeitos de minério em Miraí (MG) faz suspender o abastecimento em Laje do Muriaé

RAPHAEL GOMIDE
THIAGO GUIMARÃES

O vazamento de 400 mil m3 de rejeito de bauxita da Rio Pomba Empresa de Mineração Ltda., em Miraí (MG), manchou de vermelho os rios Fubá e Muriaé e causou a suspensão da captação e distribuição de água de Laje do Muriaé (RJ), por decisão da governadora do Rio, Rosinha Matheus. Uma mancha de 70 km de extensão, segundo a Defesa Civil do Rio, e 7 km, de acordo com a Rio Pomba, tomou os rios.
A empresa afirma que não há produtos químicos nem metais pesados e que o material é "inerte", não-tóxico, exclusivamente argila. Laudos da Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Rio) e da sua correspondente em Minas comprovaram que não havia substâncias tóxicas. O Rio estuda mover ação de compensação dos prejuízos e de reparação da flora e fauna, por meio da Procuradoria Geral do Estado, contra a indústria.
A Rio Pomba comercializa bauxita. O diretor industrial da empresa, Carlos Ferlini, diz que o produto é retirado do ambiente e decantado; a argila, subproduto do processo, é mantida numa barragem de 3,8 milhões de m3, que vazou por uma fenda de 30 cm por 7 cm, a dez metros de profundidade. O vazamento durou pelo menos 72 horas após uma placa de contenção se deslocar.
Segundo Ferlini, apenas 10% do volume despejado nos cursos d'água são sólidos. Ele disse que, apesar de a coloração assustar, o material não é tóxico. "O gado bebe a água e não tem problema nenhum", disse à Folha, acrescentando que 30 técnicos da empresa auxiliam no tratamento da água, com sulfato de alumínio.
O acidente, iniciado na madrugada de quarta-feira, deixou em alerta as autoridades do Rio de Janeiro. A governadora Rosinha estava em Campos, maior cidade da região, na quinta-feira e avisou os prefeitos locais. Enviou ontem a presidente da Feema, Isaura Fraga, e o secretário da Defesa Civil, Carlos Alberto de Carvalho, para Laje do Muriaé, onde o problema era mais grave e o abastecimento de água foi cortado.
Seis cidades do Estado do Rio -Laje do Muriaé, Itaperuna, Italva, Cardoso de Moreira, Campos dos Goytacazes e Paraíba do Sul- são abastecidas a partir do rio Muriaé.
Extensão
"Sobrevoei a área atingida e é muito extensa. Pedimos a três pequenas hidrelétricas de Minas Gerais que libertassem a vazão de água para diluir a lama. A empresa colabora, mas tivemos de insistir muito para eles fazerem a análise do material porque dizem que não é tóxico", afirmou o secretário da Defesa Civil.
Ele disse ainda que há dois coronéis do Corpo de Bombeiros acompanhando os trabalhos no noroeste fluminense.
A Rio Pomba informou que vai se responsabilizar pela recuperação de danos e prejuízos causados pelo vazamento da barragem.
O secretário Carlos Alberto de Carvalho disse que a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) forneceu caminhões-pipa como alternativa para compensar provisoriamente o corte de abastecimento de água em Laje do Muriaé.
Os danos ambientais em território mineiro causados pelo vazamento se concentraram principalmente em propriedades localizadas em até dez quilômetros abaixo do ponto do acidente, de acordo com o secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, que sobrevoou ontem a área atingida.
Segundo Carvalho, cerca de dez propriedades localizadas nos cinco primeiros quilômetros após a barragem foram as mais afetadas, com destruição de pastagens e lavouras. O material que vazou, cerca de 400 mil m3, representa 16% do total da barragem, feita de terra compactada e com altura entre 25 e 30 metros.
O cadastro da barragem na Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas) também informa que os resíduos do reservatório não passam por pré-tratamento.

FSP, 04/03/2006, Cotidiano, p. C4

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.