VOLTAR

Fugiu à receita

OESP, Fórum dos Leitores, p. A2-A3
Autor: OLIVEIRA, Sergio S. de
16 de Abr de 2010

Fugiu à receita

Ninguém faz milagres para construir usinas hidrelétricas. O receituário é um só e os ingredientes são sempre os mesmos: um rio, um desnível, uma queda-d"água, uma barragem. Foi graças a esses ingredientes que surgiram Paulo Afonso, no Rio São Francisco, todas as hidrelétricas do Rio Grande - uma verdadeira escada fluvial -, as usinas do Rio Pardo no Estado de São Paulo, as do Rio Tietê, as do Rio Paranaíba e as do Rio Paraná. Umas com maiores dificuldades para a localização das barragens e o estabelecimento de quota, como Itaipu, outras com menores dificuldades, como Furnas. Algumas, como a Henry Borden (SP) e a Gov. Parigot de Souza (PR), mudaram cursos naturais de águas de bacias de rios no planalto, para lançá-las, através de tubulações, no pé da Serra do Mar, respectivamente na baixada santista e na baixada de Antonina. Nenhuma delas saiu fora do receituário. Nem as Usinas de Jirau e Santo Antônio, em construção no Rio Madeira. A exceção fica por conta da planejada Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, onde serão necessárias obras de terraplenagem inimagináveis, com escavações equiparadas ao tamanho do Canal do Panamá e duas barragens responsáveis por uma área alagada completamente desproporcional ao total de geração de energia elétrica prevista durante um ano.

Sergio S. de Oliveira
ssoliveira@netsite.com.br
Monte Santo de Minas (MG)

OESP, 16/04/2010, Fórum dos Leitores, p. A2-A3

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100416/not_imp539073,0.php

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.