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Filantropia deve manter compromisso ambiental após COP30

FSP - https://www1.folha.uol.com.br/
Autor: LIMA,Luisa ; MODESTO, Marcelo
15 de Jan de 2026

Filantropia deve manter compromisso ambiental após COP30
Soluções para o clima exigem ações contínuas no intervalo entre conferências internacionais
Advocacy e atuação em rede são essenciais para manter agenda climática viva

15/01/2026

Luisa Lima
Gerente de comunicação e conhecimento do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social)

Marcelo Modesto

Gerente de projetos do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social)Belém foi cenário e mensagem. Realizar a COP na Amazônia tornou tangível a urgência de proteger florestas, rios e territórios, promover a transição da matriz energética e impulsionar a bioeconomia com justiça social. Foram inúmeros os aprendizados, os exemplos, as conexões, as demandas que se fizeram ouvidas, os dados que orientam a ação.

Cada conferência do clima é certamente um marco com direcionamentos e resoluções, mas as mudanças apenas acontecem com ações concretas, realizadas entre cada ciclo. Em um ano que inicia com o petróleo no centro dos movimentos geopolíticos, é necessário reafirmar o compromisso com o clima, com o meio ambiente e com a nossa própria condição de existência.

E é fundamental agir. Filantropos e investidores sociais, vocês que estiveram em Belém e escreveram longos posts nas redes sociais, incluíram ações que respondem aos nossos desafios climáticos em seus planejamentos? Pensaram em como vão responder às emergências, apoiar comunidades para que se tornem mais resilientes, e investir em adaptação?

O Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) atua no fortalecimento da filantropia estratégica e da cultura de doação no Brasil. Embora meio ambiente e clima não sejam nosso foco temático principal, são cada vez mais transversais, especialmente nas respostas a emergências, muitas delas decorrentes de eventos climáticos extremos.

Durante a COP30, formamos uma articulação plural e supranacional -Idis, Caf (Charities Aid Foundation), Gife ( Grupo de Institutos Fundações e Empresas), Latimpacto, RD Saúde, Sitawi Finanças do Bem e Wings (Worldwide Initiatives for Grantmaking Support), com colaboração de Catalyst 2030, Comunitas e Rede Comuá- e promovemos o Dia da Filantropia, trazendo as vozes das comunidades, exemplos práticos de ações em curso e reflexões sobre como podemos acelerar as transformações.

A partir das discussões em Belém, quatro aprendizados ajudam a orientar o papel da filantropia e do investimento social privado diante da crise climática.

Em primeiro lugar, a filantropia tem papel catalisador. As soluções climáticas exigem recursos na casa dos trilhões, com protagonismo de governos e setor privado. A filantropia, ainda que aporte menor volume, é decisiva, pois pode testar modelos, assumir riscos, responder com agilidade e demonstrar caminhos que depois ganham escala por outros atores. O senso de urgência deve nos mover e é preciso ousar.

Além disso, a filantropia pode reforçar a centralidade de territórios e justiça climática. Soluções com comunidades, e não somente "para elas", foram um consenso durante a conferência climática. Isso implica distribuir poder, tratar "beneficiários" como parceiros e correalizadores, apoiar lideranças locais, fundações e institutos comunitários, além de fortalecer capacidades para prevenção e resposta a desastres.

Seguindo em frente, a filantropia brasileira tem um amplo histórico de atuação colaborativa e em rede. Essa atuação coletiva multiplica alcance e influência. Plataformas e alianças entre investidores sociais, organizações da sociedade civil, academia e setor privado podem acelerar o aprendizado, coordenar investimentos e viabilizar as mudanças sistêmicas que o mundo necessita.

Por fim, a filantropia pode ter um papel decisivo em advocacy. Organizações e investidores sociais podem usar seu poder de influência para qualificar o debate público, ressaltar evidências e incidir em políticas que destravem soluções em pautas como energia, adaptação e bioeconomia. Isso inclui monitorar agendas, propor marcos regulatórios e dar visibilidade a experiências bem-sucedidas.

Se a COP30 colocou um holofote sobre a Amazônia, cabe à filantropia manter a luz acesa entre uma conferência e outra. Nosso papel é criar condições para que soluções surjam, amadureçam e ganhem escala -com ousadia, parceria e compromisso público. É assim que poderemos responder aos grandes desafios climáticos do nosso tempo.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/01/filantro…

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