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Exploração hidrelétrica volta à Amazônia

FSP, Dinheiro, p. B1
09 de dez de 2007

Exploração hidrelétrica volta à Amazônia
Leilão para construir usina de Santo Antônio, no rio Madeira, retoma as obras na "grande fronteira energética" do país
Ambientalistas admitem utilização do potencial da região, mas temem impacto que empreendimentos de grande porte podem causar

Marta Salomon
Da sucursal de Brasília

Até aqui o maior negócio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -uma obra de custo estimado em R$ 9,5 bilhões-, a usina de Santo Antônio, em Rondônia, marca a retomada dos grandes projetos de hidrelétricas na Amazônia, na avaliação do governo. Projeções oficiais indicam a exploração de pelo menos 43 mil MW na região na próxima década, o que corresponde a três usinas de Itaipu.
Os projetos em estudo pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) ou com pedido de licenciamento ambiental correspondem a quase 14 vezes a potência da hidrelétrica de Santo Antônio, cuja construção e operação serão disputadas amanhã por três consórcios privados, em parceria com estatais. Ganhará o negócio quem oferecer a menor tarifa pela energia a ser gerada a partir do final de 2012.
"Esse leilão é um marco histórico por vários motivos, sobretudo pelo sinal de que o Brasil não fechou a porta ao grande potencial hidrelétrico que falta explorar na Amazônia", destacou Maurício Tolmasquim, presidente da EPE.
O Plano Nacional de Recursos Hídricos estima em pouco mais de 132 mil MW o potencial energético dos rios amazônicos, incluindo a bacia do Tocantins. Resta inexplorada a maior parte desse potencial -equivalente a sete usinas de Três Gargantas, na China, a maior hidrelétrica do mundo.
"Sem dúvida, a Amazônia é a grande fronteira energética do país", reconhece Raul do Valle, do ISA (Instituto Socioambiental), uma das ONGs envolvidas no debate. Ele avalia que a exploração dessa fronteira equivale a um "xeque-mate" nacional. "Não vai ser tão fácil implantar esses projetos", afirma Ricardo Baitelo, do Greenpeace, antecipando as pressões de organizações ambientalistas e de grupos indígenas contrários a grandes empreendimentos na Amazônia.
A construção de hidrelétricas de grande porte na região está paralisada há quase 30 anos. A retomada desse tipo de empreendimento foi sinalizada no início do ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o PAC.

Vários projetos
A primeira usina a sair do papel foi Estreito, no rio Tocantins, quase na fronteira com o Pará. Com 1.087 MW de potência instalada, a hidrelétrica deverá entrar em operação em 2010. Quase três vezes maior, a usina de Santo Antônio -a primeira do complexo do rio Madeira- enfrentou um processo mais complicado de licenciamento ambiental, entraves à concorrência e vários atrasos até a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgar o edital do leilão de amanhã. Daí ter-se tornado um símbolo.
Depois das duas usinas do Madeira -Santo Antônio e Jirau-, o cronograma dos su perempreendimentos amazônicos prevê a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. O projeto, com potência estimada em 11.181 MW, encontra-se ainda em fase preliminar de licenciamento no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O governo pretende levar a usina a leilão até o final do mandato de Lula.
Na seqüência dos grandes projetos, viria a hidrelétrica de Marabá, no rio Tocantins, também em estágio preliminar de licenciamento, e a usina de São Luiz, no rio Tapajós, ambas no Pará. Com usinas de menor porte que são objeto de estudo de viabilidade ou de inventário, o PAC apontou a possibilidade de exploração de mais de 58,7 mil MW na região Norte.

FSP, 09/12/2007, Dinheiro, p. B1

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