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Educação faz diferença no país e na aldeia, diz universitária indígena

Folha de São Paulo www1.folha.uol.com.br
18 de Out de 2017

Índia de etnia Wapixana, de Roraima, Ariene dos Santos Lima, 20, saiu de sua aldeia direto para a faculdade de jornalismo na universidade federal do Estado.

"A educação dentro da minha comunidade não foi ruim, mas há muita deficiência nas comunidades indígenas", afirma a jovem que defende uma melhor educação para todos, principalmente para minorias como negros, índios e quilombolas.

Ela veio a São Paulo dialogar com outros jovens ativistas e aprender com educadores na 2o Congresso Mapa Educação, movimento que está na final do Prêmio Empreendedor Social de Futuro.

"É preciso se discutir que educação queremos e debater que tipo de educação temos hoje."

Leia seu depoimento à Folha.

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Sou da etnia Wapixana, do Estado de Roraima. Atualmente moro em Boa Vista, mas aos fins de semana retorno para minha comunidade Truaru, que fica a 65 km da capital.

Vivo essa rotina entre a cidade e a minha comunidade. Faço comunicação social e jornalismo na Universidade Federal de Roraima. Passei pelo processo seletivo diferenciado indígena, estou no quinto semestre e faço estágio na TV universitária como repórter.

Conheci o Mapa Educação por meio das redes sociais. Primeiramente, eu me interessei bastante pelo título e pela causa. Sou uma ativista e luto pelo meu povo indígena.

Fiz uma seleção, que teve duas etapas. Na primeira, uma redação, que eu escrevi defendendo a minha causa, voltada às minorias, tanto negros, indígenas ou quilombolas.

Acredito que participar desse momento [2o Congresso Mapa Educação] está sendo muito importante por essa diversidade de pensamento, de encontrar com jovens de outras localidades que pensam em melhorar e ter uma educação de qualidade para todos, independentemente do lugar, do Estado que você esteja.

Eu vim defender uma educação de qualidade para todos. Sem distinção. Tanto nas periferias, no interior, para os povos brancos, negros, enfim, todos mesmo.

Essa é a causa que eu defendo. E aqui no congresso é o momento de dialogar. É preciso se discutir que educação queremos e debater que tipo de educação temos hoje.

FORMAÇÃO INDÍGENA

Tive minha formação dentro da comunidade mesmo, até o ensino médio. Tive de sair para poder fazer o vestibular e entrar na universidade, que é federal e dava essa oportunidade para gente.

A educação dentro da minha comunidade não foi ruim, mas há muita deficiência nas comunidades indígenas. Mesmo na cidade já temos uma educação que não é muito boa, imagine nos interiores, numa aldeia indígena.

Todos os meus professores eram indígenas, da minha própria etnia. E eu tive a oportunidade de ter conhecimento da minha própria língua. Temos uma base curricular diferenciada, que não acompanha totalmente a do município.

É importante entender minha própria cultura para eu poder entender a cultura dos outros. A partir daí, posso ter um pensamento do que vai ou não servir para mim.

Nesse debate sobre educação, é bom poder falar o que eu vivi, o que eu sou. Se hoje eu cheguei até onde estou, numa universidade, e poder viajar para outro Estado defendendo uma causa foi porque eu tive um processo diferenciado de educação. Eu não precisei sair lá da minha comunidade para poder ter acesso ao ensino.

Não preciso dar um exemplo de fora, eu sou o próprio exemplo para minha comunidade. Eu aprendi lá que é possível com base na sua educação fazer uma diferença no país e fazer uma diferença na sociedade.

Eu acredito mais ainda na educação [vendo outros jovens discutindo isso]. Ver o tanto tantos jovens, como eu, preocupados com educação e que você não está sozinha. Temos aqui pessoas que dão as mãos umas às outras para poder fazer a diferença na educação, que querem realmente uma educação de qualidade, não só para elas, mas para todos.

http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/minhahistoria/2017/10/1…

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