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É preciso salvar a Mata Atlântica

GM, Opinião, p. A3
Autor: AYLLÓN, Luís J.
10 de jun de 2005

É preciso salvar a Mata Atlântica
De 1960 a 1990, um quinto das florestas tropicais foi destruído.

Luís J. Ayllón

Quando os primeiros colonizadores chegaram ao País, a Mata Atlântica cobria 15% do território brasileiro. Era uma área de floresta superior a 1.290.692 km², que se estendia do norte ao sul da costa litorânea por 17 estados. Segundo os ambientalistas, o desmatamento atinge, diariamente, uma área equivalente a 390 campos de futebol (390 Morumbis ou Maracanãs!). Dessa forma, da mata original restam apenas 90.438 km², que se encontram sob ameaça de destruição permanente. De acordo com um relatório elaborado pelo Inpe, com a colaboração do Instituto Socioambiental e da organização SOS Mata Atlântica, ela perdeu 5.003 km² apenas entre 1990 e 1995, que deram lugar principalmente a pastagens e empreendimentos imobiliários. Entre 1960 e 1990, um quinto das florestas tropicais foi destruído, segundo levantamento do WWF e do Centro Mundial de Monitoramento e Conservação. É só levar em consideração que as florestas são o ecossistema mais rico em espécies animais e vegetais para constatar que sua destruição constitui grande risco à diversidade. Por conseguinte, cada vez mais a atenção dos ambientalistas se volta para a integridade da diversidade genética dessa vegetação. Na condição de maior fabricante mundial de carpetes, essa foi talvez a principal razão para firmarmos uma parceria com o Programa Florestas do Futuro, da Fundação SOS Mata Atlântica, criando o projeto de reflorestamento CarpeTree. Elaborado por nós da Interface, o programa de reflorestamento vai ajudar a recompor matas ciliares das bacias hidrográficas de cinco rios e da Mata Atlântica, que serão definidos pela fundação e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nossa participação inclui financiar o plantio de uma árvore na Mata Atlântica para cada 25 m² de carpetes vendidos, sempre em nome de nossos clientes, visando recuperar as matas ciliares e preservar o habitat de plantas nativas e os animais em risco de extinção, auxiliando ainda a reduzir o monóxido de carbono na atmosfera, o que contribuirá para impedir o aumento do aquecimento global. Criamos o programa CarpeTree como um incentivo aos nossos clientes porque sabemos que eles partilham de nosso cuidado e preocupação com o planeta Terra, encontrando-se consideravelmente preocupados com o meio ambiente e com os impactos de suas decisões de compra. Esse é apenas um exemplo de muitas iniciativas que nossa empresa está tomando ao redor do mundo com o objetivo de alcançar a sustentabilidade. Iniciativas que nos levaram a ser considerada empresa-cidadã em todo o mundo, tendo recebido dezenas dos mais importantes prêmios ambientais em diversos países, entre os quais, em 2001, o Prêmio George e Cynthia Mitchell, outorgado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, e estando prestes a ser incluída na relação das 20 empresas que melhor administram os recursos naturais pelo jornal inglês "Financial Times", ao lado do Greenpeace e da Patagônia, além de nosso chairman, Ray C. Anderson, ter sido co-presidente do Conselho Presidencial de Desenvolvimento da Sustentabilidade durante o governo do presidente Bill Clinton. Hoje, no Brasil, nossos esforços estão voltados a preservar os 90 mil km² da Mata Atlântica que restaram, como primeiro passo para procurar recuperar, pelo menos em parte, o 1,2 milhão de quilômetros quadrados que nos foram tirados pelo desmatamento indiscriminado e pela especulação imobiliária. Sabemos que não vai ser fácil, mas toda grande caminhada começa com o primeiro passo.
kicker: Da mata originalrestam apenas90.438 km², que se encontram sob permanente ameaça de destruição
Luís J. Ayllón - Vice-presidente da Interface para a América Latina.

GM, 10-12/06/2005, Opinião, p. A3

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