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Criado há 6 meses, parque está abandonado

FSP, Cotidiano, p. C7
15 de set de 2006

Criado há 6 meses, parque está abandonado
Apesar da promessa do então governador Geraldo Alckmin, área de 130 hectares não foi cercada nem recebeu melhorias

Esgoto de favela vizinha e lixo dos moradores é jogado dentro do local e em seu entorno, o que causou a contaminação de nascentes

Afra Balazina

O parque Tizo, criado pelo então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), há seis meses, parece um terreno abandonado. A área não foi sequer cercada e, até agora, não recebeu melhorias ou os investimentos prometidos.
Quando instituiu o parque, Alckmin afirmou que já havia liberado uma verba de R$ 5 milhões para a instalação de grades em toda a área e para a criação de viveiros.
A informação está no site do governo estadual, em notícia publicada no dia 25 de março, data em que o ex-governador e presidenciável assinou o decreto e visitou o local.
Ontem, a reportagem encontrou uma guarita quebrada, viu áreas que foram queimadas recentemente, montes de entulho e diversas latas de cola de sapateiro no terreno do parque. As placas que informavam que a área pertence à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) estão em pedaços, no chão. O esgoto de uma favela vizinha e o lixo dos moradores continua sendo jogado no parque e em seu entorno, o que causou a contaminação de nascentes.
Segundo o motorista Washington da Silva, 32, que passa pelo Tizo toda semana e ainda não sabia que a área deveria ser um parque, grupos evangélicos fazem vigília no local à noite.

Mata atlântica
O Tizo está localizado em cinco cidades: São Paulo, Osasco, Embu, Cotia e Taboão da Serra. Com área de 130 hectares, pouco menor que a do parque Ibirapuera (158,5 hectares), ele possui 66% de remanescentes originais da mata atlântica, além de espécies de animais raras ou ameaçadas de extinção, como a araponga e o pavão-do-mato.

Problemas
"O parque está largado. Na prática, a situação está pior do que antes. Há sinais de que pessoas freqüentam o local para consumir drogas. Caçadores também entram com facilidade na área, e as clareiras estão aumentando. Para resolver isso é fácil, mas falta vontade política", diz Fabio Sanchez, 41, presidente da Associação de Moradores do condomínio Petit Village, vizinho ao parque.
A bióloga Silvana Santos, moradora da área, entregou ontem uma representação ao Ministério Público em que relata os problemas do parque.
"Existem guardas, mas não perguntam o que as pessoas vão fazer, não há restrição na entrada. Não há placa informando que a área é parque."
O governo pretende fazer do parque uma área de pesquisa e preservação ambiental, com trilhas para caminhada.

Estado culpa prazo para licitações

DA REPORTAGEM LOCAL

A CDHU, dona do terreno onde o parque foi criado, afirmou que a área começará a ser fechada no mês de novembro e que a demora decorre de burocracia, como o prazo de licitações.
O valor do edital é de R$ 971 mil. O restante dos R$ 5 milhões será usado em outras ações -para evitar a continuidade da deposição de resíduos no parque (esgoto e lixo) e fazer o reflorestamento da área, por exemplo. Também é responsabilidade da CDHU fazer a vigilância e manutenção do local.
"A situação não é a ideal, mas o parque não está abandonado", diz Helena Carrascosa, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
Geraldo Alckmin disse que a reportagem deveria ouvir o atual governo.

FSP, 15/09/2006, Cotidiano, p. C7

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