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Associação Yanomami denuncia risco de contágio por coronavírus em região com forte presença de garimpeiros em Roraima

G1 RR - https://g1.globo.com/rr/
05 de ago de 2020

Associação Yanomami denuncia risco de contágio por coronavírus em região com forte presença de garimpeiros em Roraima
Região no Rio Mucajaí tem cinco comunidades que ficam a 300 metros de áreas onde há exploração e situação preocupa a Hutukara Associação Yanomami. Maior terra indígena do país, reserva Yanomami foi considerada a mais vulnerável ao coronavírus entre as regiões indígenas da Amazônia.

Por G1 RR - Boa Vista
05/08/2020 12h18

A Hutukara Associação Yanomami denunciou mais uma vez nesta quarta-feira (5) o risco que índios da etnia correm de se infectar com o coronavírus em razão da invasão de garimpeiros na região do Rio Mucajaí, onde há forte impacto da exploração ilegal dentro da terra indígena.

Os novos relatos são de que na região a ameaça da Covid-19 é eminente. Na região do Rio Mucajaí vivem cerca de 307 indígenas Yanomami distribuídas em cinco comunidades.

Oficialmente há a confirmação de que 13 pessoas infectadas pelo coronavírus na localidade, apontada pela Hutukara como a terceira com maior extensão de área degradada pelo garimpo.

O número de infectados, no entanto, segundo a Hutukara, pode ser maior. A associação informou ter recebido o relato de que uma adolescente, de 14 anos, morreu com os sintomas da doença no início de junho. Depois, sete pessoas da família da menina foram removidos da região a Boa Vista e na capital todos testaram positivo para a Covid-19.

"Por causa disso [garimpo] a gente continua a pegar malária e por causa disso minha irmã ficou mal. Ela morreu. 'Talvez seja malária!' nós dissemos isso. E como não era isso [malária], aqui, vindo eu e minha filha para cá, vimos que afinal era essa doença [Covid-19], contou à Hutukara a irmã da adolescente, que também se infectou pelo vírus.

Até esta quarta-feira (5) o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) registrou 378 casos de indígenas infectados pelo coronavírus e quatro mortes. Desses, 227 estão dentro da Terra Yanomami e os demais em tratamento na Casa de Saúde Indígena (Casai), na capital.

Questionada se a morte da adolescente na região do Mucajaí foi contabilizada nos dados sobre a Covid-19, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) disse que "que não informa nomes, etnias ou localidades de pacientes com Covid-19".

"É cada dia mais necessário que as autoridades tomem medidas para tirar os garimpeiros que estão invadindo nossa terra e impedir que a Xawara [doença]continue se espalhando entre nós".

O Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami (Condisi-Y) acompanha a situação a reforçou que os vírus na região tem sido levado por garimpeiros.

"Nessa região tem muita presença de garimpeiro, é bem próximo as aldeias, aproximadamente 300 metros das comunidades. Então o vírus chegou através dos garimpeiros", afirmou Júnior Yanomami, presidente do Conselho.

O risco de contágio levado por garimpeiros já havia sido abordado em estudo elaborado pelo Instituto Socioambiental (Isa) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa apontou que a Terra Yanomami era a mais vulnerável ao coronavírus entre as regiões indígenas da Amazônia.

No início de julho o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou que o governo federal retirasse os garimpeiros da Terra Yanomami como forma de combate ao coronavírus. A medida, no entanto, não foi cumprida e o Ministério Público Federal (MPF) recorreu para que fosse aplicada uma multa. Ainda não saiu uma nova decisão no processo.

Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares e fica entre os estados de Roraima e Amazonas. Cerca de 27 mil indígenas vivem na região, alvo de garimpeiros que invadem a terra em busca da extração ilegal de ouro. A estimativa é que cerca de 20 mil garimpeiros estejam infiltrados no território.

https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2020/08/05/associacao-yanomami-…

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