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Agravamento da crise faz busca por caminhões-pipa disparar em SP

FSP, Cotidiano, p. C4
16 de Out de 2014

Agravamento da crise faz busca por caminhões-pipa disparar em SP
Empresas afirmam que atuam no limite; 'há até fila de caminhão para abastecer', diz empresário
Preços variam conforme local e quantidade e podem aumentar com fim das reservas nos mananciais

DE SÃO PAULO

A falta de água que se agravou em todas as regiões de São Paulo nos últimos dias, conforme a apontou a Folha nesta quarta (15), está provocando uma corrida por caminhões-pipa.
Dez empresas consultadas pela reportagem dizem ter havido aumento no número de pedidos de compra de água, principalmente por prédios no centro expandido.
Rita Passos diz que o aumento em sua empresa, a SR Transportes de Água, foi de 300%, o que tem causando até fila de espera.
"De dez ligações que recebo, só consigo atender uma. Está faltando água em todo lugar. Antes estava mascarado, mas depois da eleição o bicho pegou, está escancarado. Já está ruim e vai piorar", afirma.
De acordo com Mario Gouveia, da empresa Flash Água, seu telefone não para de tocar 24 horas. "Antes eram três ou quatro caminhões por dia. Agora são 15. Estamos trabalhando no limite", diz.
Segundo as empresas, os novos pedidos vêm de bairros onde os caminhões-pipa eram menos comuns.
"Agora vem muito pedido de Jabaquara [zona sul], Perdizes, Pinheiros [zona oeste]. Antes o mais comum eram pedir água para encher piscina. Agora os prédios estão enchendo a caixa-d'água", diz Tiago Vieira, da Cristal Águas.
"Há até fila de caminhão para abastecer, pois a demanda não vence", conta Gouveia, da Flash.
Os preços variam de acordo com o local de entrega e a quantidade de água solicitada, segundo as companhias. Um veículo com 15 mil litros varia de R$ 300 a R$ 1.000.
Valmir Arnoud, da empresa Fonte Dracena, diz que o preço deve disparar quando os mananciais secarem. "Por enquanto não estou atendendo residências. Mas uma hora eu vou ter que atendê-las e o preço será três vezes maior."
A água vendida pelas empresas é captada em poços artesianos, que precisam ter o laudo de potabilidade renovado todo mês. Os caminhões também devem seguir regras sanitárias para evitar contaminação, mas não é feita uma análise de cada volume entregue aos clientes.
RESTRIÇÃO
As empresas dizem que enfrentam outra dificuldade para atender os pedidos: a restrição aos caminhões-pipa, que só podem circular em parte da cidade, sem autorização, das 21h às 5h.
A prefeitura diz que as empresas podem pedir permissão para atender os casos confirmados de falta de água.
(ANDRÉ MONTEIRO E CÉSAR ROSATI)

FSP, 16/10/2014, Cotidiano, p. C4

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/190898-agravamento-da-crise-…

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