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Valor ambiental

FSP, Opiniao, p.A2
04 de abr de 2005

Valor Ambiental
O mais amplo levantamento sobre a saúde do planeta acaba de ser terminado e não traz boas notícias. A pedido da ONU, 1.360 cientistas de 95 países traçaram entre 2001 e 2005 um diagnóstico completo dos ecossistemas terrestres e concluíram que a humanidade está esgotando os recursos oferecidos pelo globo numa velocidade superior à sua capacidade de reposição.
De acordo com os especialistas, estão comprometidos itens como estoques de peixes, reservas de água potável, reciclagem de nutrientes do solo e controle climático regional. Os efeitos do esgotamento são mais do que um risco para o futuro -eles já estão produzindo impactos reais.
Um exemplo dessas conseqüências é a irrupção de epidemias, como a de cólera na África subsaariana entre 1997 e 1998. Também já se verificam mudanças climáticas provocadas pelo desmatamento e alterações nas águas costeiras que estão elevando desproporcionalmente populações de algumas espécies e matando representantes de outras.
O relatório produzido pelas Nações Unidas, que leva o nome de "Avaliação Ecossistêmica do Milênio", não se limita a reproduzir os resultados desalentadores encontrados pelos cientistas mas também traz uma série de recomendações para dirigentes. Uma das mais interessantes é a que sugere que os economistas reaprendam a fazer contas e passem a considerar em seus cálculos o valor desses fatores.
Com efeito, é freqüente que florestas sejam valorizadas apenas com base na madeira que produzem, podendo ser simplesmente derrubadas para converter-se em pastos. Já é hora de deixar de considerar como meras "externalidades" serviços oferecidos pela mata, como sua capacidade de seqüestrar carbono da atmosfera, de proteger mananciais e até de servir como área de lazer e turismo.

FSP, 04/04/2005, p. A2

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