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29 de Dez de 2025
Orçamento e ambiente devastados por emendas
Anomalias na distribuição de máquinas usadas para desmatamento em obras revelam desperdício de verbas
Na última década, de R$ 900 milhões executados, 30% foi só para Rôndônia, que no período teve a maior taxa proporcional de devastação
29/12/2025
Levantamento da Folha mostra efeitos nefastos do descontrole de emendas parlamentares, que desde 2015, quando sua execução tornou-se obrigatória, abocanham fatias cada vez maiores do Orçamento federal sem transparência ou critérios técnicos de aplicação.
Nos últimos dez anos, deputados e senadores direcionaram por meio desse mecanismo mais de R$ 900 milhões para compra de ao menos 1.649 máquinas pesadas que foram entregues a 467 municípios da Amazônia Legal.
Segundo especialistas, esse tipo de maquinário -como trator de esteira e de pneus, motoniveladora e rolo compactador- é usado em geral para remover vegetação e abrir estradas.
Trata-se de dinheiro público aplicado em obras com potencial impacto ambiental. Assim, é necessário que sua execução siga avaliação rigorosa para evitar distorções. Mas não é o que se vê.
Do montante total, 30% das verbas (R$ 319 milhões) e 31% das máquinas (507) foram apenas para Rondônia, que, desde 2015, teve a maior taxa de desmatamento proporcional ao território na região, com 5,1% da sua área devastada (12 mil km²), de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Em seguida, estão Mato Grosso (R$ 145,8 milhões) e Acre (R$ 117,8 milhões).
Dos equipamentos adquiridos para Rondônia, a capital Porto Velho ficou com 329, uma discrepância notável ante as outras duas cidades que obtiveram mais máquinas pesadas na região, Cuiabá (67) e Rio Branco (30).
Os dados levantam dúvidas sobre se os recursos foram direcionados a localidades e populações que de fato deles precisam.
Outros problemas são o possível uso irregular das máquinas em garimpos, como aponta o Ibama, e favorecimento. O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) usa sua fatia de verbas para regularizar a obra de uma estrada que passa por terras de sua família, aberta com desmatamento ilegal no período em que ele era prefeito de Porto Walter (AC).
A execução impositiva de emendas abriu uma caixa de Pandora no Orçamento. De 2015 a 2024, foram empenhados R$ 220 bilhões, R$ 173 bilhões a mais do que se o montante fosse só corrigido pela inflação.
É um volume inaudito que no geral serve a interesses políticos de congressistas por obras paroquiais, em vez de ser alocado racionalmente em áreas prioritárias.
Interromper essa insensatez demandará um entendimento político e institucional entre os três Poderes, que por ora não está no horizonte. Ao que tudo indica, há mais escândalos pela frente.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/12/orcamento-e-ambiente-deva…
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