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Noruega vê péssima hora para parceria com Mercosul

FSP, Mercado, p. A9
28 de ago de 2019

Noruega vê péssima hora para parceria com Mercosul
País pediu às empresas ativas no Brasil que não contribuam para a destruição da Amazônia

OSLO | REUTERS e AFP

Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, integrante da Associação Europeia de Livre-Comércio (EFTA, na sigla em inglês) que reúne os países não membros da UE, lamentou nesta terça (27) o "péssimo momento" do acordo comercial concluído com o Mercosul no contexto dos incêndios na Amazônia.

Em meio a uma enxurrada de críticas no exterior por sua gestão dos incêndios que devastam a região, o presidente Jair Bolsonaro havia anunciado na última sexta-feira (23) o fechamento de um acordo de livre-comércio entre a EFTA (que reúne Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça) com o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).

"[Por um lado] é um péssimo momento, agora que a Amazônia está em chamas", afirmou Erna. "Por outro, é um acordo que passamos anos tentando concluir, e o acordo apoia o objetivo de uma gestão sustentável da floresta tropical", acrescentou a chefe do governo norueguês, cujo país exerce a presidência rotativa do EFTA no segundo semestre do ano.

O anúncio do tratado chega no momento em que países como França e Irlanda ameaçaram bloquear o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano para protestar contra os incêndios.

Também acontece poucos dias depois de a Noruega, seguindo os passos da Alemanha, anunciar a suspensão de sua contribuição financeira para o Fundo Amazônia, que prevê recursos para a preservação da selva.

Essa coincidência levou organizações de defesa do ambiente e partidos de oposição alançarem duras críticas ao governo de direita na Noruega. Segundo o jornal europeu Klassekampen, dois partidos nanicos da coalizãode governo, liberais e democristãos, não excluem rever o acordo, quando o texto for examinado no Parlamento.

A Noruega pediu às empresas do país ativas no Brasil que garantam que elas não contribuam para a destruição da Amazônia.

Representantes da petrolífera Equinor, da fabricante de fertilizantes Yara e da produtora de alumínio Norsk Hydro, na qual o país norueguês é o principal proprietário, participaram de uma reunião nesta terça-feira com o ministro do Clima e Meio Ambiente, Ola Elvestuen, para discutir as queimadas na Amazônia.

"Elas devem estar conscientes sobre suas cadeias de fornecimento e garantir que não ajudem a contribuir para o desmatamento", disse Elvestuen a repórteres após a reunião, na segunda-feira, em resposta às chamas que afetam a vasta Floresta Amazônica.

No início desta terça-feira, Brasília disse que não aceitaria uma oferta de pelo menos US$ 20 milhões do G7 para combater os incêndios até o presidente francês, Emmanuel Macron, se retratar de "insultos" contra o presidente Jair Bolsonaro.

A Noruega trabalhou em estreita colaboração com o Brasil para proteger a floresta amazônica por mais de uma década e pagou cerca de US$ 1,2 bilhão ao Fundo Amazônia, do qual é de longe a maior doadora.

Perguntado nesta terça-feira o que a Noruega faria com o dinheiro que não estava doando ao fundo, Elvestuen disse à Reuters: "Ainda não foi decidido".

A Equinor disse que era importante que a floresta tropical estivesse protegida e que a empresa não estivesse envolvida em atividades lá, mas limitada à exploração de petróleo offshore e a uma fazenda solar.

"Garantimos que nossa cadeia de fornecimento não tenha um impacto negativo na floresta", disse um porta-voz da empresa.

A Hydro disse que está trabalhando ativamente na redução de seu rastro climático e ambiental em todos os seus negócios e apoiou os esforços para reduzir o desmatamento na Amazônia com, por exemplo, colaboração em pesquisas entre a universidade de Oslo e uma universidade no Pará.

"A Hydro possui uma mina de bauxita no Pará que respeita as regulamentações ambientais. Usamos recursos significativos para replantar e reabilitar áreas de mineração e temos o objetivo de realizar um reflorestamento individual das áreas disponíveis", disse um porta-voz da empresa. "A Hydro está focada em manter um bom diálogo e boas relações bilaterais entre a Noruega e o Brasil."

A Yara, que não estava disponível para comentar, produz fertilizantes no Brasil e fornece produtos aos agricultores brasileiros.

FSP, 28/09/2019, Mercado, p. A9

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/noruega-pede-que-suas-emp…

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