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Mananciais ameaçados

FSP, Editoriais, p. A2
20 de jun de 2017

Mananciais ameaçados

Era de esperar, após a grave crise hídrica que se abateu sobre a região metropolitana de São Paulo em 2014-15, que o poder público dedicasse mais cuidado à proteção de seus mananciais. Não foi o que se observou nos últimos quatro anos.
Conforme reportagem desta Folha publicada no sábado (17), nada menos que 75 invasões irregulares nesse período junto às represas Billings e Guarapiranga. Os dois reservatórios na zona sul de São Paulo garantem o abastecimento de 5,6 milhões de pessoas.
Se tal número não basta para que os governos municipal e estadual deem mais atenção ao problema, o que seria preciso, então, para que se dedicassem a ações mais efetivas para combatê-lo? Até aqui, mais parece que decidiram fazer vista grossa diante do descalabro.
Basta ver imagens aéreas do mar de casas nas margens para perceber que o descaso vem de longe. A ocupação de áreas que deveriam permanecer protegidas, para assegurar a recarga dos reservatórios, começa ou com invasões de famílias pobres ou com o parcelamento irregular do solo por empresários inescrupulosos.
Com a lentidão administrativa e judicial para identificar proprietários e promover a reintegração de posse, barracos de invasores logo cedem lugar para casas de alvenaria. Ruas se formam, comércio e serviços se espalham. Sem rede de esgoto, dejetos vão para a represa.
Não demora a surgir a demanda por regularização dos terrenos e construções. Líderes comunitários, muitos dos quais atuam também como cabos eleitorais, pressionam prefeitura e vereadores para que a área invadida receba água, luz e títulos de propriedade.
Em novembro de 2013, por exemplo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) promoveu a invasão de espaço, conhecido como Nova Palestina, a menos de um quilômetro da Guarapiranga.
Um ano depois, a Câmara Municipal declarou a área Zona Especial de Interesse Social. Em seguida, a prefeitura, em parceria com o governo estadual, anunciou a construção no local de prédios para abrigar 14 mil pessoas.
Embora as 75 invasões mencionadas tenham acontecido na administração de Fernando Haddad (PT), seria ingênuo deixar de reconhecer que a fonte de origem da deterioração dos mananciais brota de uma negligência generalizada, contumaz e suprapartidária.

FSP, 20/06/2017, Editoriais, p. A2

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/06/1894234-mananciais-ameacad…

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