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Líderes indígenas protestam contra retirada de coordenador da Sesai

Midiamax (Campo Grande - MS) - www.midiamax.com.br
Autor: Catarine Sturza
24 de ago de 2015

Pressão política seria motivo de retirada de coordenador

Lideranças indígenas se reúniram em frente à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) de Mato Grosso do Sul para protestar contra a saída de Hilário da Silva da coordenação do órgão nesta segunda-feira (24).

No último sábado (22), líderes de etnias indígenas do Estado fizeram uma reunião na Sesai com o senador Delcídio do Amaral (PT) e deputados, e decidiram pela retirada de Hilario da Silva, o 1o indígena a coordenar a Sesai no Brasil.

Segundo o deputado estadual Amarildo Cruz (PT), que esteve presente na reunião, os indígenas pediam por uma melhor gestão dos recursos. "A reclamação foi de que está tudo muito centralizado, não há um modelo de gestão".

Para o conselheiro local de Saúde da Aldeia Ofaié, de Brasilândia, e assessor do coordenador da Sesai, Marcelo da Silva Lins, a decisão não faz sentido porque poucos indígenas estavam presentes quando foi tomada. "Na verdade, cerca de 2% da população indígena do estado é a favor dessa decisão".

Ele explicou que tudo não passa de pressão política "encabeçada, principalmente, por deputados". "Por essa secretaria ser uma pasta do PT há uma pressão muito grande por parte do partido em indicar pessoas para ficar no cargo", explica.

O cacique líder da Aldeia Amambaí, Italiano Vasque, disse que não sabia da reunião. Ele veio sábado a Campo Grande entregar ao senador documentações pedindo medicamentos à sua etnia, guarani- kaiowá. Segundo ele, sua aldeia foi bem atendida "desde que Hilario entrou há coordenação, há um ano, e setembro agora estávamos esperando uma remessa de kits de saúde". A preocupação dele é com o futuro da Sesai, "Temos cinco aldeias esperando por mais melhorias", reforça.

Crescencia Martins, que faz parte do Conselho de Saúde Indígena da Aldeia Amambaí, comentou que Hilário levou muitas melhorias para a aldeia, como "remédios, equipamentos de trabalho e capacitação para os indígenas". "A comunidade colocou ele a frente da Secretaria e agora querem tirar. É lógico que é coisa dos políticos".

Hilário explica que "a reunião de sábado foi às surdinas. Talvez eles sabiam que nós tínhamos uma boa aceitação e, por isso, estão querendo me retirar, mas as lideranças indígenas não vão deixar".

O coordenador ressaltou que "foi feito um bom trabalho durante esse um ano" por causa do apoio técnico recebido. "Todas as aldeias são a favor do nosso trabalho. Quando o gestor faz um bom trabalho é porque ele tem um bom apoio técnico". Quando questionado sobre sua retirada, ele cita que "nada mais é que política".

Segundo Hilário há alguns nomes que são levantados para o cargo, como do indígena que faz Doutorado no Rio de Janeiro, Luiz Eloy, e outras três pessoas, entre elas uma funcionária da Sesai. Até sexta-feira (28) será divulgado o nome de quem irá assumir o cargo.

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