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Japão mede radiação para provar ao mundo que tem carne segura

FSP, Mercado, p. B4
24 de fev de 2012

Japão mede radiação para provar ao mundo que tem carne segura
Após vazamento nuclear de 2011, governo criou sistema para testar a produção de Fukushima
Mesmo com garantia, exportações da região pararam em julho; no mercado interno, carne custa 40% menos

PAULA LEITE
ENVIADA ESPECIAL AO JAPÃO

Um dos países que mais impõem barreiras sanitárias para comprar carne, o Japão agora se vê na posição de precisar convencer o mundo e seu próprio mercado interno de que a carne da região de Fukushima é segura.
Em julho do ano passado, o país descobriu que carne contaminada com radiação chegara a consumidores, consequência do vazamento da usina nuclear de Fukushima, atingida por terremoto e tsunami em março de 2011.
Desde então, preocupados com a segurança dos alimentos produzidos no norte do Japão, o governo criou um sistema para testar toda a carne produzida na província de Fukushima a fim de detectar a presença de radiação.
Esses testes são feitos no Centro de Tecnologia Agrícola de Fukushima, visitado pela Folha. Mesmo com essa garantia, desde julho do ano passado, não há exportação de carne da região.
Cerca de 11 mil cabeças de gado de Fukushima foram abatidas de agosto, quando começaram os testes, a janeiro, e todas tiveram amostras da carne testadas. Não foi detectado caso de radiação acima dos limites permitidos, diz Kiichi Tairako, do Centro de Tecnologia Agrícola.
Apesar disso, no mercado japonês, a carne de Fukushima custa cerca de 40% menos que a carne de outras regiões, mesmo com o "selo" do governo que garante que ela não está contaminada.
O Japão exporta pouca carne bovina -de janeiro a outubro, vendeu o equivalente a US$ 36 milhões desse produto, enquanto o Brasil exportou US$ 5,3 bilhões em todo o ano passado.
A maior parte da carne japonesa vendida para o mercado externo é de produtos especiais, como as carnes conhecidas como Kobe e Wagyu, de alta marmorização (mais macia, com finos veios de gordura interna).
AJUDA
O governo japonês gastou cerca de 1 bilhão de ienes para comprar carne para ajudar os fazendeiros de Fukushima.
"Os rebanhos não estão sendo reduzidos, mas muitos fazendeiros estão desanimados e pensam em mudar de profissão", diz Tairako.
A situação do peixe de Fukushima é mais grave: a pesca está proibida na região porque os testes têm registrado nível altíssimo de radiação (em torno de 4.000 microsieverts, enquanto o aceitável, segundo o governo japonês, é 500 microsieverts).
O sievert é a unidade que mede a quantidade de radiação absorvida por humanos. A exposição a mais de 100 mil microsieverts por ano pode provocar câncer. Uma área com raio de 20 km ao redor da usina está restrita em razão dos níveis de radiação.
A jornalista PAULA LEITE viajou a convite do governo japonês

FSP, 24/02/2012, Mercado, p. B4

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/27473-japao-mede-radiacao-para…

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